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Pandemia sobrecarregou as instalações de saúde; há países com poucos respiradores e alguns sem equipamentos de proteção

Texto / Guilherme Soares Dias | Edição / Simone Freire | Imagem / OMS/D. Elombat

Embora os números de infecções pela Covid-19, o novo coronavírus, sejam mais baixos, quando comparado a outras regiões do mundo, há aumento exponencial nas últimas semanas no continente africano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o número de casos na África é superior a 11 mil, com 600 mortes.

De acordo com a CNN, a pandemia sobrecarregou as instalações de saúde, e especialistas prevêem que poderá devastar os sistemas de saúde do continente, que já recebem baixo investimento. A maior parte dos países possuem poucos respiradores e leitos de UTI.

A República Centro-Africana, por exemplo, tem apenas três respiradores para cinco milhões de pessoas, disse o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC). A situação é igualmente grave no Zimbábue, segundo a CNN, onde os profissionais de saúde dos hospitais do país dizem que não têm equipamentos básicos, como ataduras e luvas para cuidar de seus pacientes.

África do Sul

Já a África do Sul tem um dos mais altos índices do continente, com 6,7 mil casos de Covid-19, e 131 mortes, de acordo com o site alemão Deutsche Walle (DW). No último dia 1 de maio, o país transitou do nível de alerta 5 para o 4: algumas restrições foram retiradas e setores como de construção, têxtil e manutenção voltaram a funcionar.

A economia está sendo retomada em fases, mas escolas continuam fechadas, deslocamentos são limitados e é obrigatório usar máscara. O Tesouro Nacional da África do Sul estima que este ano tenha uma quebra na economia na ordem dos 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, anunciou, entretanto, um pacote de ajuda de US$ 26 bilhões para apoiar os trabalhadores do setor informal. O governo prevê também reabrir as escolas paulatinamente, a partir de 1 de junho. Mas há temor de possíveis consequências de afrouxamento rápido das medidas de contenção contra o novo coronavírus.

Por conta da pandemia, a guerra civil no Sudão do Sul, que durou anos, está interrompida. O país registrava apenas 46 pessoas infectadas, de acordo com a DW. O governo de unidade nacional do presidente Salva Kiir e do vice-presidente Riek Machar, que está no poder desde 12 de março, reagiu cedo e restringiu a mobilidade da população para evitar que o vírus se espalhasse pelo território do país.

As restrições de viagem no Sudão do Sul e no Sudão, no entanto, levaram também à suspensão do destacamento de três unidades policiais da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), a Força Interina de Segurança das Nações Unidas para Abyei (UNISFA).

E, embora as relações entre o Sudão e o Sudão do Sul tenham melhorado, Jean-Pierre Lacroix, subsecretário-geral do Departamento de Operações de Paz da ONU, não acredita que, neste momento, possam ser feitos progressos na disputa pela região de Abyei, reclamada por ambos os países.

Já a missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monusco) também teve de alterar a sua rotina de trabalho, relata Benno Müchler, diretor da fundação alemã Konrad Adenauer na RDC.

Há cerca de 70 grupos rebeldes ativos no leste da RDC. Segundo Müchler, esses grupos poderiam tentar usar a situação atual para conquistar mais territórios ou obter lucros na exploração mineira. Portanto, o que a curto prazo serve para proteger a saúde pode, a longo prazo, sobrecarregar a conjuntura política.

De acordo com Fred Gateretse-Ngoga, chefe da divisão de Prevenção de Conflitos da União Africana, as primeiras consequências já são visíveis no continente. "Estamos assistindo um aumento dos ataques terroristas no Sahel, no Lago Chade e na Somália”, disse à DW.

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