fbpx
 

Visitar o país possibilita que pessoas negras se sintam representadas nos monumentos distribuídos em diferentes cidades

Texto: Guilherme Soares Dias | Edição: Nataly Simões | Imagem: Pedro Borges

Quem sai do Brasil e desembarca na África do Sul tem a primeira surpresa positiva já no Aeroporto Internacional de Joanesburgo, que chama Oliver Tambo, em homenagem ao advogado e um dos líderes da luta contra o apartheid ao lado de Nelson Mandela. Mas é o líder contra a segregação racial, que presidiu o país entre 1994 e 1999, que recebe diversas homenagens por todo o país, incluindo uma estátua que substituiu a de um antigo líder do apartheid.

Neste 18 julho, a África do Sul celebra o aniversário de seu maior líder com tours virtuais, uma vez que o país vive novo lockdown parcial (das 21h às 4h) por conta da pandemia da Covid-19, o novo coronavírus. Em todo o mundo, há diversos monumentos erguidos em sua homenagem, mas em seu país de origem é possível fazer uma viagem toda apenas refazendo os passos do líder. Confira:

Robben Island (Cidade do Cabo)

Foi onde Madiba passou 18 dos seus 27 anos preso. A Robben Island é um Patrimônio Mundial da Unesco e está situada a nove quilômetros da costa da Cidade do Cabo numa viagem de balsa que dura 3h30. É possível fazer um passeio virtual pela prisão com o guia, Vusumzi Mcongo, que também foi preso político em Robben Island, entre 1978 e 1990.

Fila do voto (Port Elizabeth)

A “The voting line” reúne uma série de figuras de aço cortadas a laser representando os sul-africanos que votaram nas primeiras eleições democráticas em 27 de abril de 1994. As figuras fazem parte da Rota 67, uma trilha cênica que presta homenagem aos 67 anos de serviço de Madiba à humanidade. A escultura de metal de 38 metros de comprimento mostra sul-africanos conectados em uma linha. 

Centro Correcional de Drakenstein

Fica entre Paarl e Franschhoek, na província do Cabo Ocidental. Este é um dos muitos locais que abrigam uma parte importante da jornada de Madiba. Foi em uma casa nesta propriedade que Nelson Mandela passou os últimos 14 meses de sua sentença de 27 anos de prisão. Foi também pelos portões do Centro Correcional de Drakenstein que Madiba se tornou um homem livre em 1990.

Local de captura de Nelson Mandela (Howick)

Localizado em Howick, província de KwaZulu-Natal, recebeu um monumento construído no mesmo local em que Nelson Mandela foi preso em 5 de agosto de 1962, levando a sua sentença de 27 anos de prisão. Por lá, 50 colunas de aço foram estrategicamente dispostas para formar o rosto de Mandela quando vistas em um ângulo específico. Faça o tour virtual aqui.

Casa de Mandela (Johanesburgo)

Localizada no bairro do Soweto, a Vilakazi Street é conhecida como a única rua do mundo a abrigar dois ganhadores do Prêmio Nobel da Paz  e também a rua mais famosa da África do Sul. A popular casa de quatro quartos, construída em 1945, é um museu com coleções de objetos de decoração Madiba. Os buracos de bala e a chama da bomba de gasolina marcam esta casa no auge do apartheid, são evidentes nas paredes até hoje. Chama atenção a história de Winnie Mandela, conhecida no país, como mãe da nação, que também tem monumento na Mandela House

Pretória

Uma estátua gigante de Nelson Mandela com os braços abertos em sinal de conciliação e um amplo sorriso fica diante da sede do governo sul-africano em Pretória. O monumento foi inaugurado um dia depois do enterro do ícone da luta contra o apartheid em 2013, tem 4,5 toneladas de bronze e nove metros de altura. A estátua substituiu a de Barry Hertzog, fundador do partido que instaurou o apartheid.

Liliesleaf Farm (Johanesburgo)

Nessa fazenda, líderes do movimento contra o apartheid encontraram abrigo e fizeram reuniões. No dia 11 de julho de 1963, alguns deles foram detidos em uma batida policial e foram acusados de sabotagem, junto com Nelson Mandela (que já estava na prisão na época). Mandela e mais sete deles foram condenados à prisão perpétua. O local funciona como museu, com exposições itinerantes e projetos educativos.

Praça Nobel (Cidade do Cabo)

Localizada no V&A Waterfront, um dos principais pontos turísticos da Cidade do Cabo, as esculturas foram inauguradas em 2005 e homenageiam os quatro vencedores do Prêmio Nobel da Paz no país: o chefe Albert Luthuli, o arcebispo Desmond Tutu e os ex-presidentes Nelson Mandela e FW de Klerk. Situada na movimentada V&A Waterfront, a Nobel Square pede um momento de silêncio que permite refletir sobre o quão longe a África do Sul chegou.

africadosulpdralmapretaum

(Foto: Pedro Borges/Alma Preta)

Museu Nelson Mandela (Mthatha)

Situado na província natal de Nelson Mandela, o Museu foi inaugurado em 2000, no décimo aniversário de sua libertação da prisão em 1990. O museu é composto de dois elementos - o Edifício Bhunga, em Umtata, e o Centro de Juventude e Patrimônio, em Qunu - e promete uma jornada inspiradora na vida de Nelson Mandela.

Constitution Hill (Johanesburgo)

Situado em Braamfontein, o Constitution Hill  funcionou ao longo dos anos principalmente como prisão. Nos piores dias do apartheid, foi lá que muitos ativistas, incluindo Mahatma Gandhi, em 1913, e posteriormente Nelson Mandela, ficaram detidos. Hoje, a vida dos dois líderes que se tornaram ícones da resistência pacífica são tema de duas exposições permanentes.

Praça Nelson Mandela (Johanesburgo)

A estátua de Nelson Mandela na praça do subúrbio de Sandton é o lugar favorito para turistas tirarem fotos com um Madiba “gigante”. O local fica junto a um grande centro comercial, onde há lojas e restaurantes. Com seis metros de altura, o monumento retrata o ex-presidente sorrindo e dançando e foi inaugurado em 2002.

Prefeitura da Cidade do Cabo

A Prefeitura da Cidade do Cabo é onde Mandela fez seu primeiro discurso como um homem livre em 11 de fevereiro de 1990. Multidões se reuniram no Grand Parade (a principal praça pública) para ouvi-lo falar. No centenário de Mandela, para simbolizar o momento do discurso na varanda, a prefeitura recebeu uma estátua do ex-presidente.

africadosulpdralmapretadois

(Foto: Pedro Borges/Alma Preta)

Chancellor House e estátua Shadow Boxer (Joanesburgo)

Duas obras localizadas na 25 Fox Street mostram dois lados diferentes de Mandela. A Chancellor House é o local de onde o ex-presidente da África do Sul e Oliver Tambo comandavam seu escritório de advocacia, o Mandela & Tambo. O local não é aberto ao público. Ao invés disso, suas janelas contêm uma linha do tempo dos eventos relacionados a Mandela e Tambo e momentos que exigiram esforços anti-apartheid. Do outro lado da rua, é possível contemplar a estátua do jovem Mandela como boxeador amador, ainda em sua juventude. A foto que serviu de base para a obra de seis metros de altura foi feita em 1950 pelo fotógrafo Robert Gosani.

Estátua no edifício de legislatura (Mpulanga)

Localizado em Mbombela, na província de Mpumalanga, a estátua de bronze marcou o 100º aniversário de Madiba em 2018 e foi erguida no edifício da legislatura de Mpumalanga. A chegada da estátua também viu renomear diferentes prédios do governo na legislatura e erguer mais monumentos em homenagem a combatentes da liberdade.

Museu do Apartheid (Johanesburgo)

É reconhecido como o principal museu do mundo a abordar a história da África do Sul no século 20 – especialmente o apartheid, ilustrando sua ascensão e queda. O estabelecimento tem uma exposição permanente chamada “Mandela: Líder, Camarada, Negociador, Prisioneiro, Estadista”.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com