Texto: Dennis de Oliveira / Foto: Télia Lopes / Edição de Imagem: Pedro Borges

A Rede Antirracista Quilombação e o Coletivo São Mateus em Movimento realizaram uma roda de conversa no dia 14 de maio, no bairro de São Mateus, zona leste da cidade de São Paulo. Participaram mais de 50 pessoas para discutir o tema: “A democracia não chegou na periferia”.

Em determinado momento, a roda recebeu a visita do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Ele estava acompanhado de Cláudio Aparecido da Silva, coordenador de políticas da juventude do município de São Paulo. O prefeito e o coordenador ficaram quase até o final das discussões. 

Aluizio Marino, do São Mateus em Movimento, fez a mediação visual da roda, colocando na lousa branca as principais idéias que eram expressas pelos presentes. Télia Lopes, da Quilombação, fez a mediação da conversa.

Primeiramente, foi lido o manifesto da Rede Quilombação contra o golpe (LINKAR AQUI). Todos os presentes consideram que o momento atual do Brasil é muito complicado com reversões de direitos conquistados e a perspectiva de um recrudescimento da violência na periferia e contra os movimentos sociais, principalmente com a ida do ex-secretário da segurança de São Paulo, Alexandre Moraes, para o ministério da Justiça.

Aluízio Marino, do São Mateus em Movimento, fez a mediação “visual” da roda. (Foto: Télia Lopes)

O governo de Temer, fruto de uma articulação golpista midiático-parlamentar-jurídica, tem um nítido programa ultraliberal, priorizando o atendimento das demandas do grande capital transnacional, em especial o rentista e para isto, irá constituir um arranjo institucional que impeça a pressão dos movimentos sociais. Para tanto, extinguiu as pastas mais sensíveis às demandas sociais (Direitos Humanos, Igualdade Racial, Mulheres, entre outras). Ao mesmo tempo, a nomeação de Moraes para o Ministério da Justiça sinaliza que a política para os movimentos sociais será a da repressão.

Os participantes da roda apontam que é necessário que a esquerda se reinvente. As experiências dos coletivos de periferia que articulam ações culturais, políticas e se organizam de forma horizontal, construindo novos protagonismos políticos, culturais e midiáticos necessitam ser valorizadas e mais ouvidas pelas organizações tradicionais do campo progressista.

Participantes da roda afirmam que a esquerda precisa se reinventar para enfrentar o conservadorismo que ganha força. (Foto: Télia Lopes)

Por que isto é importante?

Este novo cenário é produto de alterações profundas na conjuntura social. A primeira delas é o maior acesso a informação e formação.

O acesso maior à informação é uma característica do mundo contemporâneo devido às tecnologias da informação e comunicação desenvolvidas nos últimos tempos. A apropriação destas tecnologias criou a possibilidade de mais pessoas poderem expressar publicamente suas idéias.

Por isto, uma característica fundamental destas novas organizações é que elas se baseiam no compartilhamento de informações. A organização mais horizontalizada não é mero capricho e sim conseqüência deste fluxo de informações que se horizontaliza.

Quanto à formação, é inegável que as políticas públicas mais recentes de expansão da educação superior possibilitaram que mais jovens da periferia ingressassem na universidade. Com isto, a periferia hoje conta com muitos jovens com formação avançada e vários deles ocupando postos importantes nos equipamentos sociais de periferia, como postos de saúde, casas de cultura, escolas, entre outros.

Prefeito de São Paulo Fernando Haddad e coordenador de juventude, Claudio Aparecido, participam da roda de conversa. (Foto: Télia Lopes)

O engajamento na luta pela qualidade das políticas públicas ganha corpo com estes novos atores.

Na roda de conversa do dia 14, vários participantes fizeram análises sofisticadas sobre o cenário da periferia e o funcionamento dos equipamentos sociais. Mais: constataram que é necessário aprofundar a formação política na “quebrada” – lembrando que a politização na periferia é feita no cotidiano, na esquina, nas rodas de conversa entre amigos. E que ainda o poder dos grandes meios de comunicação, em especial a Globo, é imenso e desproporcional ante as várias iniciativas de mídia alternativa que são produzidas pelos coletivos.

Por fim, os participantes também concordaram que é necessário ampliar eventos como este e, para isto, prevê-se a realização de uma “roda de conversa na rua” combinando narrativas políticas e artístico-culturais.

Lançamento do DVD do filme contém cenas, fotos e manuscritos inéditos do rapper Sabotage; a sessão acontece no Auditório Ibirapuera

Texto: Divulgação / Edição de Imagem: Solon Neto

Assistido por mais de 30 mil pessoas em seis capitais brasileiras, no circuito Espaço Itaú de Cinema, e exibido no Canal Brasil, o filme Sabotage: Maestro do Canão ganha versão em DVD com lançamento no dia 20 de maio, sexta-feira, no Auditório Ibirapuera. Depoimentos, fotos, manuscritos e imagens inéditos foram incluídos no disco, que estará disponível para compra, bem como pôster e HQ oficiais do filme. O documentário, que será exibido neste dia em duas sessões, às 18h e às 20h, estreou na mesma casa no ano passado e, em dois dias e seis sessões – gratuitas, naquela ocasião –, que alcançaram um público de mais de 4 mil pessoas.

O Maestro do Canão é uma homenagem a Mauro Mateus dos Santos, o famoso rapper que dá nome ao filme. Familiares, amigos, parceiros e outros músicos participam do longa-metragem com depoimentos, como Mano Brown, do Racionais MC’s, Rappin Hood, Sandrão e Helião, do RZO, Andreas Kisser, do Sepultura, BNegão, Paulo Miklos e os cineastas Hector Babenco e Beto Brant.  A obra foi produzida pela 13 Produções e a Elixir Entretenimento, e conta com o patrocínio do Itaú e da Sabesp, com apoio do Itaú Cultural e coprodução do Canal Brasil.

O filme revisita a singularidade musical e a versatilidade midiática de Sabotage, admirado em diversos segmentos da música brasileira, e que, em pouco tempo, se consagrou como um dos nomes mais importantes do rap nacional por trazer uma grande contribuição ao inovar com uma mescla de estilos musicais. O diretor e idealizador deste documentário, Ivan 13P, lembra a figura essencial do rapper, que em certo momento do filme é caracterizada pelo cantor Paulo Miklos: “Quer saber o que é Rap nacional? Sabotage”, diz. “É o cara mais esperto, a poesia mais cortante, mais brilhante que você vai poder encontrar. Vai estudar que você vai ver”, completa.

Sabota, como também é chamado, nasceu na Zona Sul de São Paulo, onde, depois de ter sido assaltante e gerente de tráfico, encontrou a saída deste submundo no rap. Ao entrar na música e descobrir o seu verdadeiro dom, mudou radicalmente de vida quando participou de um concurso de rap no salão Zimbabwe, em São Paulo. Entusiasmados com a apresentação do rapaz negro e franzino, Mano Brown e Ice Blue, integrantes do grupo Racionais MC’s, o convenceram a deixar as drogas e investir em suas rimas.

Assim, cantando sobre violência policial, miséria, vícios e principalmente sonhos, Mauro ficou para trás e surgiu Sabotage. Como rapper, ele rapidamente se destacou na cena hip-hop nacional. Teve um álbum lançado – Rap é Compromisso, em 2001 – e diversas participações em discos de outros artistas, como BNegão, Rappin’ Hood, Sepultura, Negra Li, Charlie Brown Jr. e Z’África Brasil, além de participações no cinema nacional – O Invasor, de Brant, e Carandiru, de Babenco. O artista em pouco mais de dois anos de carreira, deixou uma profunda marca na história do rap nacional e uma legião de fãs e seguidores. Doze anos se passaram após morrer assassinado, em 24 de janeiro de 2003.

Durante os anos de preparação do longa, o diretor Ivan 13P e o produtor Denis Feijão reuniram um rico material, entre familiares, como Sabotinha, filho do rapper, amigos e arquivos, além de recolher depoimentos inéditos deixados pelo próprio artista. O trabalho foi realizado em parceria entre duas produtoras: a 13 Produções, de São Paulo, conhecida pelas suas produções independentes de documentários musicais de média-metragem, e a Elixir Entretenimento, que vem se destacando por trabalhos como Raul – O Início, O Fim e O meio.

 

SERVIÇO

Sabotage: Maestro do Canão

Dia 20 de maio, sexta-feira, às 18h e às 20h

Duração: 120 minutos (aproximadamente)

Ingressos: R$20 e R$10 (meia-entrada)

Classificação indicativa: 14 anos.

Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer

Capacidade: 800 lugares

Av. Pedro Alvares Cabral, s/n – Portão 2 do Parque do Ibirapuera

(Entrada para carros pelo Portão 3)

Fone: 11.3629-1075

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http://www.auditorioibirapuera.com.br/

Ar-condicionado. Acesso a deficientes. Proibido fumar no local.
Estacionamentos / Transporte: Estacionamento do Parque Ibirapuera, sistema Zona Azul – R$ 5 por duas horas.

Dias úteis das 10h às 20h, sábados, domingos e feriados das 8h às 18h
Ônibus:

Linha 5154 – Terminal Sto Amaro / Estação da Luz

Linha 5630 – Terminal Grajaú / Metrô Bras

Linha 675N – Metrô Ana Rosa / Terminal Sto. Amaro

Linha 677A – Metrô Ana Rosa / Jardim Ângela

Linha 775C/10 – Jardim Maria Sampaio / Metrô Santa Cruz

Linha 775A/10 – Jd. Adalgiza / Metrô Vila Mariana

O Auditório Ibirapuera não possui estacionamento ou sistema de valet. O estacionamento do Parque Ibirapuera é Zona Azul e tem vagas limitadas. Sugerimos que venha de táxi ou transporte público

Horários da bilheteria:

– Sextas-feiras e sábados, das 13h às 22h

– Domingos, das 13h às 20h

Ingressos

Sistema Ingresso Rápido, pelo site www.ingressorapido.com.br e pontos de venda espalhados por todo o Brasil.

Formas de Pagamento: American Express, Visa, MasterCard, Dinners Club, Aura, Hipercard, Elo, Vale Cultura Sodexo e Vale Cultura Ticket, todos os cartões de débito e dinheiro. Não aceita cheques.

O serviço de reservas pelo site do Auditório está suspenso temporariamente para adequação ao aumento da demanda e melhor atendimento ao usuário.

Meia Entrada:

– Estudantes: apresentar na entrada Carteira de Identidade Estudantil.- Professores da Rede Estadual, Aposentados e Idosos acima de 60 anos: apresentar RG e comprovante.- Menores de 12 anos, acompanhados pelos pais, têm direito a 50% de desconto do valor da inteira, quando Censura Livre.

Texto: Pedro Borges / Foto: Divulgação / Edição de Imagem: Pedro Borges

 Obra incentiva a reflexão sobre o espaço da mulher no hip hop

O lançamento da publicação “Mulheres de Palavra” ocorre no mês de maio, na Fábrica de Cultura de diferentes bairros da periferia de São Paulo. No dia 7, a atividade acontece na Vila Nova Cachoeirinha e no Jaçanã. Na semana seguinte, 14, a apresentação ocorre nos bairros da Vila Brasilândia e Jd. São Luis. O encerramento do ciclo está marcado para o dia 28, no Capão Redondo. Todas as rodas de conversa começam às 14h e terminam às 16h.

O principal tema abordado no livro é a dificuldade que as mulheres enfrentam no Hip Hop e no cotidiano. Dory de Oliveira, cantora e compositora, participa da “Mulheres de Palavra” e relata o espaço dado a elas nos shows de rap. “Cada uma tem as suas dificuldades pessoais. A primeira que eu vejo é o machismo, o sexismo escrachado que existe. Às vezes a gente vai num show e dez grupos são de homens e um é de mulher. Isso quando tem mulher para cantar”.

PretaRara2 (SamuelMalbon_MulheresDePalavra)A obra traz a narrativa de 10 rappers do estado de São Paulo que contam a dificuldade de participar de um meio masculino como o Hip Hop. A publicação apresenta também as barreiras cotidianas enfrentadas pelas cantoras, tanto no ambiente familiar quanto no convívio social.

Preta Rara, cantora e compositora, também participa da obra e exalta a importância dela ser divulgada nas periferias de São Paulo. “Outras mulheres acabam percebendo que as mesmas dificuldades e alegrias, às vezes, são parecidas com a das meninas que participaram do livro. Então é bom para divulgar e incentivar a cultura, para que elas possam ser donas da sua própria história, ser protagonistas do seu momento. Acho que essa é a importância, mostrar que é possível e que elas não estão sozinhas”.

A maior parte do grupo é composta por mulheres pretas e periféricas. A ancestralidade, o histórico de resistência da população negra e a relação com o universo das periferias urbanas são outros aspectos de destaque no livro.

Para Preta Rara, o protagonismo e a necessidade da mulher negra contar a sua história tornam a publicação “Mulheres de Palavra” fundamental. “Por isso que eu resolvi participar desse projeto, porque geralmente em vários que eu participo, eu sou sempre objeto de pesquisa, e sempre quem está me pesquisando tem um olhar diferente por não saber o que eu faço. Nesse projeto não, quem entrevista, quem filma, quem grava, quem corre atrás, quem fala, são todas mulheres negras. Quando eu falo sobre opressão, sobre infância, elas se identificam porque elas passaram por isso também”.

DoryDeOliveira2 (RicardoDutra_MulheresDePalavra)A publicação foi idealizada pelas pesquisadoras Fernanda Allucci, Ketty Valencio e Renata R. Allucci, com registro audiovisual de Ricardo Dutra e Samuel Malbon e textos de quatro autoras convidadas, Daniela Gomes, Izabela Nalio Ramos, Nerie Bento, Roberta Estrela D’Alva e será distribuída de maneira gratuita nos principais equipamentos culturais de São Paulo. O projeto foi realizado com o apoio do governo do Estado de São Paulo e da Secretaria de Estado da Cultura, por meio do PROAC Editais.

Confira a entrevista completa com Dory Oliveira:


Serviço: 
Dia 07.05 - Lançamento da Publicação nas Fábricas de Cultura Vila Nova Cachoeirinha e Jaçana
Horário: 14h às 16h
Gratuito
Dia 14.05 - Lançamento da publicação nas Fábricas de Cultura Brasilândia e Jd. São Luis
Horário: 14h às 16h
Gratuito.
Dia 28.05 - Lançamento da publicação na Fábrica de Cultura Capão Redondo
Horário: 14h às 16h
Gratuito.

Contato:
Black Indie Assessora de Imprensa.
Assessora de Imprensa: Nerie Bento.
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