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Quatro jovens, com quatro histórias diferentes, em busca de soluções coletivas para mudarem sua história e transformarem a vida na quebrada

Texto: Redação | Edição: Nataly Simões | Imagem: Maxuel Melo

O que é ser um empreendedor social? A resposta para essa pergunta muda dependendo das vivências de quem a responde e foi pensando em trazer a pluralidade desse conceito que nasceu a websérie “Pense Grande Sua Quebrada”, contada a partir da perspectiva de quatro jovens das periferias de São Paulo.

Cinco coletivos de comunicação, Alma Preta, Desenrola e não me enrola, Embarque no Direito, Periferia em Movimento e Agência Mural uniram forças para montar um roteiro que cumprisse o papel de democratizar a linguagem e o acesso ao universo do empreendedorismo social.

Para que este objetivo fosse cumprido, cada um dos cinco episódios da série foi produzido e dirigido pelos coletivos de maneira colaborativa. Todo o processo de pré-produção, produção e pós-produção foi realizado no ano de 2019 e contou com a participação de 22 jovens durante as gravações.

“Reunimos a proposta do programa Pense Grande da Fundação Telefônica Vivo e pensamos no que fazia sentido para a realidade das periferias. Entendemos que todo o processo seria mais significativo se fosse feito em conjunto com os jovens. Muitos não se definem como empreendedores, mas estão sempre em movimento para criar soluções para sua existência em um cenário que não é favorável”, compartilha Aline Rodrigues, jornalista e representante da Periferia em Movimento.

Na história, Felipe, Carla, Vitória e Ícaro são jovens negros e moradores da periferia da Favela da Tula Pilar. A negritude e o lugar onde moram são apenas um dos fatores que os conectam, já que todos passam por diferentes dificuldades e problemas pessoais que vão sendo trabalhados, individualmente, ao longo dos episódios. Obstáculos para ingressar no mercado de trabalho, desafios na infraestrutura familiar e acesso à educação, dúvidas sobre o futuro. Tudo isso é levado em conta quando Vitória enxerga a possibilidade de trazer propósito para os jovens de sua quebrada por meio de uma Batalha de Rima. E o que começou como uma simples ideia, acaba por inspirar as juventudes da periferia a expressar suas vozes.

Coletividade como potência

Para desenhar os personagens e a linguagem da série foram levados em consideração os anseios, as dúvidas e os sonhos dos jovens, pensando o empreendedorismo a partir de suas perspectivas. Até o roteiro de falas foi escrito a muitas mãos, contando com mudanças feitas pelo próprio elenco na hora das gravações.

“As nomenclaturas na série não são tão importantes. A linguagem é a que o jovem usa no dia a dia na periferia. O roteiro é muito original porque é produto dos próprios atores, que fizeram mudanças importantes para que eles e outros jovens se reconhecessem naquelas falas”, conta Maxuell Mello, 24 anos, produtor de conteúdo audiovisual e encarregado pela direção e edição do material.

Para ele, a interação e a união da equipe foi o grande diferencial. “A gente montou um time de produção muito unido e humano. Isso fez com que a série andasse. O convívio era muito bom, pudemos fortalecer a conexão que já tínhamos com os amigos e também conhecer outros jovens da quebrada que dividem a vontade de produzir conteúdo e arte. O que fica é esse carinho e admiração”, conta Max.

Thaís Siqueira, jornalista do Desenrola e Não Me Enrola, e Rebeca Motta, produtora cultural e jornalista do Embarque no Direito, concordam que a união das potencialidades e vivências de cada um determinou o tom da série. “Foi muito interessante ver como toda a equipe estava empenhada em fazer o projeto acontecer. A comunidade tem muito disso: fazer um pelo outro. A gente era mesmo uma grande família”, conta Rebeca.

Já Thaís, acrescenta: “O ponteiro do relógio de um jovem morador da periferia vive atrasado há muito tempo, e não é fácil tentar colocá-lo nos mesmos minutos e segundos de um jovem que não vive a mesma realidade. Mas a juventude periférica tem muito talento e ousadia naquilo que faz, o que falta é mais oportunidades e acesso a espaços que são negados a ela”.

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Websérie “Pense Grande Sua Quebrada” está disponível no YouTube, em cinco episódios. (Foto: Divulgação)

(Des)construindo narrativas

“A série vem quebrar o imaginário que as narrativas constroem sobre o jovem da quebrada. Empreendedorismo na periferia vem da sobrevivência e é na busca de meios para contornar essas dificuldades que a gente soluciona os problemas”, diz Thamires Rodrigues, 23, jornalista do coletivo Desenrola e Não me Enrola e também a atriz que interpreta Vitória.

Quando descreve a personagem, Thamires diz que poderia descrever a si mesma. “Ela é uma garota muito pra frente. Tá sempre circulando pela quebrada, tentando arrumar uma solução para os problemas, além de agitar a galera pra pensar junto com ela”, diz.

Luís Lucas, 23, também se identifica com o personagem que interpreta. Apesar de nunca ter atuado antes, o jovem jornalista do Jardim Angela diz ter se sentido muito acolhido, o que ajudou a tornar a experiência mais natural. “Assim como o Ícaro, eu também perdi meu pai muito novo e passei por um momento de dúvidas em relação ao meu futuro. Ele é um personagem muito inteligente, mas ainda não descobriu que caminho seguir”, descreve.

Cada personagem enfrenta desafios particulares e não há suporte externo que possa impulsioná-los na direção daquilo que acreditam. É na coletividade, e entre os amigos, que encontram a oportunidade de imprimir suas vozes e narrativas no mundo. “É isso que a batalha de rima representa na série: a juventude se reunindo para expressar a cultura periférica e relembrar que, ali, já existe um potencial de mudança”, conclui Luís.

Confira na íntegra os episódios da websérie “Pense Grande Sua Quebrada”:

Episódio 1:

Episódio 2:

Episódio 3:

Episódio 4:

Episódio 5:

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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