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O atendimento público de emergência não chega nas ruas da segunda maior favela da capital; moradores criaram um serviço particular gratuito para atender mais de 100 mil pessoas, mas estavam sem dinheiro para dar continuidade e conseguiram apoio de empresa privada

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: André Penner

O serviço privado de ambulância para atender gratuitamente os moradores de Paraisópolis, a segunda maior favela da cidade de São Paulo, durante a pandemia da Covid-19, quase parou no final de 2020 por falta de dinheiro, que vinha dos próprios moradores e de doações.

O G10 Favelas, articulação formada por líderes comunitários, comerciantes e moradores, tinha criado o serviço para suprir a falta de atendimento público, pois as ambulâncias do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) não respondem aos pedidos de socorro feitos por moradores da favela de Paraisópolis, o que também é comum em outras comunidades da capital paulista.

A parceria com o projeto Fazer o Bem da empresa JBS, do ramo de frigoríficos, vai manter o serviço alternativo funcionando 24 horas por dia, com uma UTI móvel equipada com respiradores e sete profissionais: um médico, dois enfermeiros, dois socorristas e dois coordenadores comunitários. Com o patrocínio da JBS, o serviço estará garantido por mais dois meses. “Iniciativas de apoio são imprescindíveis neste momento”, diz Gilson Rodrigues, do G10 Favelas.

A articulação criou uma campanha para arrecadação de recursos. Doações podem ser feitas online com o objetivo de manter projetos no futuro. Além disso, o grupo está processando a Prefeitura de São Paulo para que o serviço público de ambulância comece a atender nos endereços de Paraisópolis. “Abrimos uma campanha para comprar uma ambulância e montar uma clínica popular para resolver o problema de forma definitiva”, conta Rodrigues.

A JBS também vai financiar a cozinha comunitária Mãos de Maria, para que as moradoras da comunidade, que perderam o emprego durante a pandemia, possam fazer marmitas para vender.

Desde o início das medidas de isolamento social para combater a propagação do novo coronavírus, a JBS investiu R$ 400 milhões no Brasil em ações para apoiar programas de saúde, assistência social e ciência. A empresa estima ter ajudado mais de 77 milhões de pessoas no país.

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Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
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