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Ação é realizada pela Preto Império, que está com uma campanha de financiamento coletivo para dar continuidade às ações no distrito da Zona Norte de São Paulo, que apresentou um dos maiores números de óbitos pelo vírus

Texto / Redação | Edição / Simone Freire | Imagem / Reprodução / Facebook

A pandemia do Covid-19, o novo coronavírus, já passou da marca dos dois milhões de infectados pelo mundo. No Brasil, o epicentro da doença é a cidade de São Paulo que, por sua vez, tem o distrito da Brasilândia, na Zona Norte, com o maior número de óbitos em decorrência da doença na capital. São 54 mortes, segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura, no dia 17 de abril.

Realizando ações diretas no território, a Preto Império, que tem uma longa história de atuação no distrito, se soma às centenas de ações que visam reduzir ou sanar os efeitos negativos do coronavírus nas periferias e favelas brasileiras, e na Brasilândia.

Cestas de alimentos orgânicos estão sendo distribuídas para mais de 100 famílias que foram mapeadas pelo coletivo em parceria com as agentes comunitárias de saúde do distrito que acompanham diretamente e rotineiramente as famílias.

“A distribuição de alimentos mais saudáveis é estratégica e uma forma de transformar a cultura alimentar da Brasilândia. A quebrada deve ter oportunidades de se alimentar melhor, principalmente em tempos como esses”, diz Dimas Reis, cofundador da Preto Império.

Os alimentos orgânicos chegam por meio de uma parceria com a Pertim.org, que compra os alimentos de pequenos produtores que perderam compradores diante da pandemia.Cópia de Preto Império

Para manter a distribuição das cestas, que precisam de um trabalho de logística e transporte organizado, bem como dar continuidade ao mapeamento destas famílias, a Preto Império está com uma campanha de financiamento coletivo aberta na plataforma Benfeitoria. Nela, a cada um R$ 1 captado, o Fundo Colaborativo Enfrente contribui com mais R$ 2, até que o valor de R$30.000 seja alcançado. A proposta é chegar a mais de 120 famílias, impactando assim, cerca de 700 pessoas.

Mercado de trabalho

Com mais de 280 mil habitantes, a maioria negra, e 43 subdistritos, a Brasilândia tem a 5ª pior taxa de emprego formal da cidade, segundo o Mapa da Desigualdade da cidade desenvolvido pela Rede Nossa São Paulo. O bairro também tem uma tradicional efervescência cultural autônoma com artistas e mobilizadores que, há anos, amenizam os efeitos da ausência de aparelhos culturais públicos no território.

Por isso, a maior parte da verba arrecadada consiste em um repasse de recurso para trabalhadores autônomos da cultura e da saúde. Mais de 30 trabalhadores receberão, por dois meses, um auxílio de R$ 300, o que permitirá impactar cerca de 170 pessoas.

Uma vez que as políticas de isolamento sejam interrompidas, os trabalhadores e trabalhadoras realizarão atividades na sede da Preto Império, como forma de realimentar redes e contatos no território, amenizando os impactos da pandemia. Uma terceira cota do dinheiro arrecadado será destinada a arcar com os custos de manutenção do espaço localizado no subdistrito da Vila Teresinha que, diante do isolamento, está com as atividades interrompidas.

A Preto Império

Depois de 10 anos como coletivo Guardiões Griô, a Preto Império surge com foco em "viabilizar sonhos das populações negras e periféricas combinando geração de renda e retorno socioambiental, além de fomentar o desenvolvimento local atuando nos eixos de cultura, saúde e bem-estar, formação e comunicação". A sede conta com o Espaço Terapêutico Ìpesã, que oferece atendimentos de cuidado e autocuidado por meio da massoterapia, alinhando e mobilizando terapeutas negros e negras para e do território. Atividades culturais e de mobilização comunitária no bairro também integram as ações do coletivo.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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