fbpx

Limpeza dos produtos doados é estratégica; evitar aglomerações também tem sido um alerta importante

Texto / Juca Guimarães I Edição / Simone Freire I Imagem / Uneafro

A solidariedade está fazendo a diferença no combate aos efeitos do Convid-19, o novo coronavírus, diante de um cenário nada animador da economia brasileira, cuja recessão deve deixar milhares de pessoas desempregadas. No entanto, diante das doações de alimentos, materiais de higiene e até mesmo de distribuição de recursos financeiros, o alerta para a implementação de protocolos de segurança e higienização nos processos tem sido cada vez maior.

De acordo com o Instituto Mahin, uma associação de médicos negros, as ações devem seguir um rigoroso padrão de higienização dos produtos e distanciamento social tanto na preparação dos kits como na distribuição dos donativos gerais para evitar a propagação do vírus.

“A primeira coisa é evitar a aglomeração para garantir que o vírus não se espalhe. Para a higienização, os aliados são água e sabão. O álcool em gel também é eficiente, mas sabemos que há uma barreira econômica por conta do preço e da escassez do produto neste momento”, explica a médica Kadi Souza, presidente do instituto.

Segundo a médica, por conta das configurações de moradia do Brasil, os cuidados nestas ações são extremamente importantes. Com muitas favelas em centros urbanos, a pandemia pode ter um efeito mais severo do que na Europa. "Rio e São Paulo são os locais com comunidades extensas que, do ponto de vista médico, é um mau prognóstico. Se o Rio de Janeiro, consegue ser a capital que mais tem tuberculose no Brasil [doença infecciosa mais letal do mundo], o que acontecerá quando a Covid chegar nesses locais?”, disse.

Ações

Nos núcleos de educação popular da Uneafro Brasil, entidade que promove cursos pré-vestibulares, foram adotados protocolos para as tarefas de arrecadação e distribuição. “Orientamos e disponibilizamos os EPI's [equipamentos de proteção individual] necessários para que não haja exposição ao contágio dos voluntários nesta ação. Centralizamos a entrega em um endereço e cada articulador se organiza para a distribuição no território”, explica Tata Santos, química, educadora popular, cofundadora da Comunidade Cultural Quilombaque e coordenadora de núcleo da Uneafro Brasil em Perus, Zona Noroeste de São Paulo (SP).

Para evitar aglomerações, explica ela, a recomendação é levar as cestas em carros pequenos ou bicicletas até o endereço das famílias em situação de vulnerabilidade previamente mapeadas, ou ainda marcar a retirada das cestas pelas famílias em horários diferentes. A Uneafro conta com 33 núcleos de educação no estado de São Paulo e mais dois no Rio de Janeiro. No momento da entrega, os articuladores também distribuem panfletos e orientam a população sobre a necessidade de limpeza dos produtos que vêm da rua.

Em Salvador (BA), a campanha "Não Toca na Mão, Mas Enche o Coração" tem oito pontos de arrecadação, onde os produtos também são higienizados antes da distribuição. Os voluntários trabalham distantes uns dos outros e com máscaras. Os produtos também são comprados em mercados, com dinheiro de doação, e higienizados.

“A gente não marca um ponto de distribuição ou divulga os locais para evitar a aglomeração. Estamos priorizando os bairros mais carentes do subúrbio. Temos os contatos nos bairros que indicam quem mais está precisando. Estamos colocando nas portas das pessoas já tudo limpo”, explica Naira Gomes, coordenadora da Marcha do Empoderamento Crespo. A campanha tem o apoio de dez entidades.


AVATAR SALVECRIADORES 2O #SalveCriadores é uma iniciativa que, a partir do apoio a coletivos e criadores de conteúdo das periferias de São Paulo, vai trazer reflexões e dados sobre a crise do COVID-19 e seus reflexos nas populações negras e periféricas. O projeto, desenvolvido pela Purpose, busca reforçar o importante trabalho que vem sendo feito por criadores de conteúdo e trazer pontos de vista e perspectivas que ainda não foram levantados. Os coletivos que fazem parte dessa iniciativa são o Alma Preta, o Nós, Mulheres da Periferia, a Periferia em Movimento e a Rádio Cantareira. Os conteúdos serão publicados nos canais de cada coletivo e divulgados nas redes sociais do Cidade dos Sonhos.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Contato

E-mail
jornalismoalmapreta(@)gmail.com