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A exibição online acontece às 19h na página do portal Alma Preta, no Facebook; Em primeira pessoa, o documentário denuncia as ausências do estado e mostra como nos lugares mais pretos e pobres a frase ‘Nóis só tem nóis’ é uma realidade

Texto / Divulgação I Foto / Nana Prudêncio/Zalika Produções

A Zalika Produções, produtora independente localizada em São Paulo, lança o documentário ‘Pandemia do Sistema: O retrato da desigualdade na capital mais rica do Brasil’. O média-metragem narra como moradores e moradoras de diferentes regiões periféricas se organizaram para enfrentar a crise econômica e de saúde que escancarou a histórica disparidade social e racial no país.

A estreia online acontece no dia 4 de agosto, às 19h, na página do portal Alma Preta, no Facebook. A exibição será seguida por um debate com a participação de Douglas Belchior, da Uneafro Brasil, Luana Vieira, gestora executiva do projeto sócio-cultural Comunidade Pagode Na Disciplina Jardim Miriam e Raimunda Boaventura, entrevistada no filme. A mediação será de Semayat Oliveira, jornalista e cofundadora do Nós, mulheres da periferia.

Após um decreto, a necessidade do distanciamento social para reduzir a taxa de contágio pelo novo Coronavírus fez emergir a seguinte questão: existe quarentena na favela? A situação de extrema pobreza já existente fez com que parte da população se tornasse ainda mais suscetível a morte. De um lado, um vírus respiratório. Do outro, a crônica ausência da garantia de direitos previstos na Constituição Federal como saneamento básico e alimentação.

 

 

‘Pandemia do Sistema’ relata a história das pessoas que se mobilizaram para apoiar seus vizinhos e vizinhas e também a história das pessoas que foram ajudadas. O filme aborda fatores como o racismo, o desemprego, a insuficiência no atendimento de saúde nesses territórios e como todos esses elementos, juntos, resultam em uma fórmula genocida. “Eu nunca pensei que a gente fosse viver uma situação tão séria como essa. Parece que a gente tá vivendo um filme de terror”, diz Raimunda Boaventura, uma das entrevistadas.

O impulso para a realização surgiu quando Naná Prudêncio, fundadora da Zalika Produções, passou a participar de ações emergenciais. Moradora do Taboão da Serra, município da grande São Paulo, primeiro ela acompanhou a entrega de cestas básicas em bairros próximos da sua casa, como o Morro do Sabão e Jardim Leme.

“Em uma das voltas eu pensei: o que eu sei fazer? Faço foto, faço vídeo. É a hora de devolver o que eu aprendi pro meu povo”, conta Prudêncio. “Mas não queria falar de um negócio temporal, porque o problema da pandemia é atemporal. É assim: ganhei a cesta, mas eu nunca tive um gás. Tá ligado? Era uma parada que não veio com a pandemia. Eu precisava falar sobre isso”, explica.

Desde então, a diretora e roteirista começou a cruzar as cidades e colar em ações semelhantes em diferentes periferias. Os distritos e/ou regiões visitadas foram: Sapopemba (Jd. Elba, Favela do Rio Claro, Ocupação vila Dandara, Fazenda da Juta, Favela do Promorar); Sacomã (Heliópolis); Brasilândia; Capão Redondo (Favela da Godoy); Cidade Ademar e Pedreira (Ocupação Morro dos Macacos, Jardim Mata Virgem, Vila Joaniza, Dorotéia e Pantanal).

A realização da Zalika Produções foi independente, custeada com recursos próprios e a colaboração de profissionais voluntários. No ramo há mais de quatro anos, esse não é o primeiro trabalho documental da produtora. Em 2018 foi lançado o filme ‘Quem te Penteia’, sobre a relação ancestral e cultural que a população negra e periférica têm com o cabelo e suas diferentes expressões. 

Dados

Segundo estudos da Rede Nossa São Paulo durante a pandemia, os distritos com menor renda média familiar mensal têm 2,7 vezes mais óbitos por Covid-19 do que os distritos que concentram mais renda. Além disso, os territórios com maior concentração de população negra também são os que apresentam maior índice de mortes decorrentes da doença.

Os distritos registrados por Naná Prudêncio se enquadram nas duas condições. Alguns deles lideraram o ranking de mortes durante os últimos meses. Em 24 de junho, os números indicaram que os bairros com maior número de mortes eram Sapopemba (zona leste) - 300 mortes; Brasilândia (zona norte) – 277 mortes; Grajaú (zona sul) - 267 mortes; Jardim Ângela (zona sul) - 240 mortes; Capão Redondo (zona sul) - 237 mortes.

Serviço

Estreia online
Data: 4 de agosto
Horário: 19h
Onde: página da agência Alma Preta no Facebook

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
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