Produzido pela Rede Doladodecá, o filme Mulheres do Progresso: muito além da várzea, retrata a força da mulher periférica e a sua relação com o Futebol de Várzea de São Paulo, percorrendo comunidades das regiões norte e sul da cidade

Texto / Divulgação
Imagem / Rede Doladodecá

A Rede Doladodecá, coletivo de comunicação que investiga a relação dos moradores da periferia com o Futebol de Várzea, Samba e a Literatura, exibe na próxima quarta-feira (21) o documentário Mulheres do Progresso: muito além da várzea às 19h30 na Galeria Olido, equipamento cultural público localizado na região central de São Paulo. Com três sessões abertas ao público, o filme percorre durante 14 minutos os bairros da Brasilândia, Missionária, Iporanga e Jardim Guacuri, retratando a força da mulher dentro e fora do cenário do Futebol de Várzea da periferia.

“O Mulheres do Progresso registra com fidelidade o cotidiano de quatro mulheres que encontraram no futebol de várzea uma forma de transformar o cotidiano das suas comunidades por meio do esporte”, conta Jamaica Santarém, cineasta e integrante da Rede Doladodecá.

Ela enfatiza a importância do filme para reconhecer o lugar de fala da mulher quando o assunto é futebol. “O futebol é uma paixão mundial, mas no imaginário das pessoas um diretor de futebol ou um técnico é sempre a figura masculina, e é justamente para contrapor esse imaginário, que o filme mostra a vida real de mulheres que dirigem times, organizam campeonatos, administram campos e sedes de equipes, para garantir momentos de lazer, alegria e união às famílias, torcedores e jogadores que dão vida aos jogos da várzea nos finais de semana nas periferias.”

O documentário foi contemplado em 2017 pelo Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), um dos principais fomentos da Secretaria Municipal de Cultura da Cidade de São Paulo, criado para estimular o desenvolvimento e a execução de projetos culturais propostos por coletivos organizados por jovens das periferias de São Paulo. “Esse tipo de política pública fortalece o trabalho de milhares de jovens das periferias e nós estamos inseridas nesse contexto social”, reconhece Joice Soares, jovem integrante da Rede Doladodeca, que estuda jornalismo e mora no Parque Santo Antônio, bairro da zona sul de São Paulo.

A jovem reforça a importância do curta para destacar a presença da mulher dentro e fora de campo. “A Rede Doladodecá escolheu retratar a força feminina nesse esporte porque a mulher já vem dominando a Várzea há muito tempo e esse documentário foi uma forma da gente mostrar e reconhecer isso.”

Varzea Mulheres Corpo

Sede do Inajar de Souza, um dos mais tradicionais times da zona norte de São Paulo (Foto: Doladodecá)

Desde 2014, a Rede Doladodecá organiza o Festival Doladodecá, iniciativa que une futebol, samba e literatura na beira do campo nas comunidades de São Paulo. Na última edição do festival, o evento abordou a temática “o futebol de várzea contra a morte de jovens negros na periferia”, incluindo jogos entre times masculinos de categorias sub 16 e 17, além de partidas entre times femininos, reafirmando o propósito de articular espaços para evidenciar o talento da mulher no cenário do futebol de várzea da periferia.

A Rede Doladodecá considera o Futebol de Várzea um dos pilares da cultura periférica devido ao seu potencial para gerar renda nas comunidades e promover lazer e cultura aos moradores. “Estamos conectadas com o mundo do futebol de várzea para apresentar à sociedade a importância das transformações sociais que esse esporte promove na periferia todos os dias”, conclui Joice, ressaltando que após a exibição na Galeria Olido, o coletivo parte rumo a uma série de quatro exibições especiais nas comunidades onde moram as personagens do documentário.

Quem são as Mulheres do Progresso?

Todas as personagens do Mulheres do Progresso possuem histórias inspiradoras. Cada uma enfrenta as dificuldades do cotidiano na periferia à sua maneira, más com um fator social em comum: a Várzea. Para elas, a vida faz mais sentido quando se está próximo a beira do campo, para acompanhar, torcer ou organizar uma partida de futebol.

Esses são alguns dos motivos que levaram Marcia Piemonte, moradora da Brasilândia, bairro da zona norte de São Paulo, a adotar o futebol como uma verdadeira paixão há exatos 49 anos. “O futebol inspira, cria, junta, faz amigos. Na verdade, ele acaba sendo parte da vida”, descreve ela, que além de ser diretora do Inajar de Souza, um dos times de maior expressão na periferia, atua como gestora de um centro esportivo na região, como forma de complementar a renda familiar. Nos finais de semana, Marcia é responsável pela organização das equipes e por administrar o bar que funciona como sede do Inajar.

Já Sindy Rodrigues, vice-presidente do Esporte Clube Explosão da Vila Joaniza, bairro da zona sul de São Paulo, tem 27 anos. Desses anos, 26 estão marcados pela estreita relação que ela e seu pai construíram com o futebol de Várzea. Mãe de cinco filho, ela faz o possível e o impossível para conciliar a vida de mãe com a de diretora de futebol. “Eu tinha um ano quando o Explosão foi criado. Então, desde pequenininha eu sou varzeano”, relembra ela, afirmando amor incondicional por sua equipe.

Ainda na zona sul de São Paulo, Tianinha como é conhecida nos campos dos quatro cantos da cidade, é moradora da Jardim Iporanga, bairro próximo ao distrito do Grajaú. Há 40 anos, ela dedica seus finais de semana para viver intensamente o clima das beiras de campo. Com um sorrido largo e um brilho nos olhos, ela exclama com orgulho. “Eu sou diretora da agremiação Ressaca da Vila Rubi. E eu tenho voz dentro do time.”

“Eu comecei trabalhando na liga de futebol de várzea de São Bernando do Campo como mesária, durante 16 anos”, conta Sandra, criadora da página e do Festival Apaixonados pela Várzea, organizado somente por mulheres. Outra paixão da varzeana é atuar como organizadora da Copa Pionner, também conhecida como a Champinons League da Várzea paulistana.

Agenda

Lançamento do documentário - Mulheres do Progresso: muito além da várzea
Local: Galeria Olido
Endereço: Av. São João, 473 - Centro, São Paulo - SP, 01034-001
Horário: 1º sessão às 19h30 / 2º sessão às 20h00 / 3º sessão às 20h30 / Bate papo com os personagens às 20h45

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