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A proposta é da rede de cursinhos populares Uneafro e prevê que que qualquer pessoa possa orientar sua periferia ou favela

Texto: Guilherme Soares Dias | Edição: Simone Freire | Imagem / Divulgação

A Uneafro, rede de cursinhos populares, está oferecendo cursos para formar agentes populares de saúde para apoiar as periferias e favelas a enfrentar os impactos da Covid-19, o novo coronavírus.

A proposta é que qualquer pessoa possa orientar seu território sobre as medidas de obtenção de benefícios sociais, prevenção, riscos de contágio, o que fazer ao se deparar com pessoas com sintomas e medidas de autocuidado.

“Todas as pessoas têm direito à saúde e a importância do SUS [Sistema Único de Saúde] é inquestionável! Mas, neste momento de pandemia, é de extrema importância compartilharmos informações sérias e comprometidas sobre como prevenir e cuidar da população que está sob o risco do coronavírus, com as especificidades, principalmente, da população periférica”, diz o site do projeto, que traz também cartilhas com todas as orientações.

Quem tiver interessado em participar da formação, pode entrar em contato pelo site e realizar o curso online. Atualmente o projeto está em dois territórios: o Jardim Miriam, na zona sul de São Paulo, e Poá (SP), na região metropolitana. A intenção é que nas próximas semanas chegue as 35 regiões em que a Uneafro está presente.

A coordenadora de núcleo da Uneafro no Jardim Miriam, Luana Vieira, que também coordena a formação no bairro, conta que a demanda surgiu a partir de uma família que estava isolada após um familiar falecer de Covid-19.

“Eles ficaram sem respaldo e começamos a pensar em estratégias para ir além do primeiro socorro. Começamos um monitoramento das famílias para que não chegassem a situação extrema”, afirma, lembrando que os cuidados passam pela entrega de cesta básica e acompanhamento do estado de saúde, além de tentar garantir que o auxílio financeiro do governo chega até quem mais precisa.

A estudante de Marketing, Leticia dos Santos, 32 anos, fez o curso e hoje atua como Agente Popular de Saúde na região. Ela lembra que recebeu orientações de um infectologista sobre o avanço da doença, explicações sobre o que é a Covid-19, de onde surgiu e como fazer um monitoramento.

“Comecei a ir até às pessoas que estão em isolamento. Entregar cesta básica, dar termômetro e medir a quantidade de oxigênio. Se estiver abaixo de 93 precisa ir para o hospital”, explica.

Ela ressalta que as pessoas que visita não saem de casa para fazer nada e que, apesar da suspeita e de terem todos os sintomas da Covid-19, não tiveram o teste disponibilizado pela rede pública de saúde. “Precisam ficar em isolamento, monitoramos e ajudamos no que for necessário. Do quinto ao décimo primeiro dia da doença costuma ser o pior período”, diz.

Leticia visita as casas das famílias com todo o aparato necessário: máscara de acetato, luva, avental, álcool em gel, mantém dois metros em distância e esteriliza todos os equipamentos que usa, como o oxímetro.

“Não pode deixar o medo tomar conta, afinal, poder ajudar é maravilhoso. Cresci na comunidade e poder sanar algumas dores que estão diante dos nossos olhos é muito importante”, afirma.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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