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Da escola para os palcos, As Despejadas ganham espaço na cena musical e divide playlist de artistas independentes para ouvir na quarentena

Texto / Redação | Imagem / Camila Rhodes

As Despejadas” é uma reação. Como fruto de seu próprio tempo, segundo as integrantes, a banda não existiria se não existisse genocídio, violência contra a mulher, preconceito de gênero e tantos outros problemas sociais.

Composta por quatro mulheres, Ariadne Matos (Percussão), Lidia Lidia Lidia (Voz e Violão), Nataly Ferreira (Voz e Violão) e Vitória Silva (Voz e Percussão), as Despejadas nasceram na periferia de Guarulhos (SP) para ecoar vozes oprimidas por meio da arte.

O próprio nome simboliza tudo isso: além da inspiração no livro “Quarto de Despejo” da autora Maria Carolina de Jesus, a banda despeja na música tudo o que acreditam para um mundo melhor.

Unidas pelos mesmos propósitos, as integrantes da banda se conheceram em 2014 como estudantes na escola pública Antonio Viana de Souza localizada na região periférica de Guarulhos (SP). As afinidades vieram por meio de trabalhos interdisciplinares que debatiam temas importantes como a Semana da Mulher, Consciência Negra, Ditadura Nunca Mais, entre outros.

Foi nesse ambiente, que também incentivava apresentações artísticas, que o grupo foi se formando em apresentações internas. “Os instrumentos musicais eram disponibilizados pela escola, o que fez toda diferença, pois dificilmente nós teríamos dinheiro para investir, ou até mesmo teríamos contato com esse tipo de produção fora dali”, conta Vitória.

Com o tempo, o experimento da escola virou uma ferramenta de protesto por meio da música. Em 2018 as Despejadas lançou “Sou Frida Luta”, um álbum que mergulha em ritmos brasileiros do samba a MPB numa mistura de voz, violão e percussão. Com o objetivo de denunciar o machismo em suas diversas formas, as letras falam de amor, relacionamentos abusivos, transfobia, entre outros temas.

Em 2020, a banda lançou o clipe da faixa “Sonhos em Cativeiro”; que com grande elenco, usa linguagem poética para refletir sobre racismo e a violência contra os jovens da periferia. No clipe, a banda volta para a escola onde nasceu para gravar algumas cenas com alunos vendados e cadeiras vazias, fazendo alusão a crianças que foram assassinadas em operações militares.

Próximos passos

Agora, as Despejadas se preparam para lançar o “Ao Vivo – As Despejadas” novo material audiovisual, além do lançamento de duas músicas inéditas: “Meu Grito”, e "Erga-se", a canção favorita da banda no momento. “Trabalhamos para que ela expressasse um mantra que acolhe nossas orações e nos dá força para lutar em tempos sombrios”, conta Lídia. “O que queremos é que a nossa música se espalhe e reanime as pessoas”, completa a artista.

Por conta isolamento social contra o coronavírus, elas intensificam a presença online via instagram com lives toda sexta-feira, além de compartilharem uma playlist com artistas independentes para ouvir durante a quarentena.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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