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Reverenciando a ancestralidade africana, esta é a primeira obra dedicada a contos e com foco no cotidiano feminino

Texto / Simone Freire | Imagem / Divulgação | Edição / Pedro Borges

Para quem circula pelos saraus periféricos de São Paulo, o nome de Raquel Almeida é muito fácil de ser ouvido, visto ou discutido. A escritora paulista, moradora de Pirituba, Zona Noroeste de São Paulo (SP), tem firmado sua escrita aqui e fora do país.

Seu mais recente livro “Contos de Yõnu” é prova viva disso. Lançado nos Estados Unidos, em outubro do ano passado, ele resume a nova fase de sua escrita, que começou com poemas (como em Duas Gerações Sobrevivendo no Gueto e Sagrado Sobro) e migrou, desta vez, para contos.

“Experimentando na calada essa escrita, fui amadurecendo e criando afinidade com o gênero até me sentir à vontade e, minimamente, pronta para publicar outro livro”, conta Raquel. “Me sinto mais confortável hoje em dia com a escrita, sem cobranças, sem rotulações, me sinto mais livre em relação à literatura”, diz.

O livro vinha sendo pensado há seis anos e traz 12 contos nos quais as personagens principais são mulheres. Como diz a autora, são estórias cotidianas de mulheres comuns e não comuns, estórias de sobrevivência, estratégia, amor, amores, desamor e de particularidades.

Yõnu significa mulher em “fon”, língua oficial do antigo Daomé, conhecido hoje como Benin. Os nomes dos contos também são africanos, uma ideia que ela teve quando pesquisava nomes para a filha Yakini, de 10 anos. “Pesquisando o dela observei que existiam nomes que já eram uma história em si”, lembra.

Uma das motivações pela escrita vem de uma demanda há muito tempo questionada por mulheres escritoras: a de poder se retratada a partir de um olhar feminino, e não masculino. “Poder contar as minhas estórias pelo meu olhar, construir personagens femininas longe de uma definição acadêmica burguesa. Escrever essas minhas estórias me ajuda a não sucumbir, a acreditar em mim e em outras pessoas”, conta.

A escrita, diz ela, também é uma forma de sobrevivência. “Até meio que egoísta de dizer, mas eu escrevo primeiramente pra mim. Não tem um motivo externo que me inspire. Poderia dizer que é pela minha filha, mas ela pode nem gostar. Eu escrevo mesmo porque sei que é minha forma de gritar, de amar e de existir”, diz.

Contos de Yõnu foi lançado em alguns saraus pela cidade do final do ano passado e, neste ano, a escritora segue com lançamentos pela cidade. Para saber da agenda de lançamentos e mais sobre a escritora, acompanhe sua página nas redes sociais e blog, onde o livro de poemas Sagrado Sopro está disponível em pdf.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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