Texto; Entrevista; Imagens: Pedro Borges / Roteiro; Edição de Imagens: Vinicius Martins

Em 7 de julho de 1978, nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo, nascia o Movimento Negro Unificado (MNU). A organização negra mais reconhecida na história recente do Brasil, teve a participação e foi o berço de grandes nomes da luta negra anti-racista no país.

Além dos entrevistados, Milton Barbosa e Adão Silvério, fundadores do movimento, a organização teve a participação de Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez, Hamilton Cardoso, Abdias Nascimento, entre outros.

Os 38 anos do MNU são um aviso de que a organização política negra é necessária e vital para que o Brasil e o mundo se tornem um lugar melhor.

Durante a conversa, Milton e Adão falaram sobre as diferentes vertentes de pensamento que compunham a organização, as conquistas e as lições do já imortalizado na história, Movimento Negro Unificado. 

Texto: Pedro Borges / Foto: Nicolas Barbosa

O filme, produzido com poucos recursos técnicos e financeiros, é bem avaliado pela crítica

O filme Siyanda, que em Zulu significa nós estamos crescendo, venceu o prêmio de melhor roteiro e alcançou o 3° melhor filme no Festival 72horas, em cerimônia na Cinelândia, no cine Odeon, no dia 25/06.  As filmagens aconteceram entre os dias 26 e 29 de junho na região portuária do Rio de Janeiro, perímetro determinado pela organização do prêmio.

Siyanda trata de uma mulher negra rejeitada em uma vaga de emprego que desaba em desespero e choro. A personagem, interpretada pela atriz Gambia Mariama Bah, começa a andar pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, fato que desperta a atenção dos espíritos ancestrais, que passam a acompanhar sua caminhada até onde fica localizado o Museu do Amanhã.

Entre os 15 melhores curtas apresentados no evento, as duas premiações ao filme Siyanda são de extrema importância para o fortalecimento do cinema brasileiro, de acordo com Hugo Lima, roteirista da obra. “O cinema tem que ser inundado pela nossa visão e nossa sensibilidade. Um grupo de negros, falando de negritude dentro de uma mídia dominada por brancos. Nossos irmãos precisam se ver nas telas dos cinemas sempre de modo positivo, e é isso que estamos tentando fazer. Com todas as dificuldades, fizemos isso. Acredito que nossa importância reside em ter conseguido destaque num festival de cinema falando, diretamente, para o povo negro”.

A conquista é motivo de grandes projeções para o grupo de cineastas e artistas negros que pretende continuar a produzir e participar de festivais. “Entendemos esse acontecimento como uma oportunidade de expôr nosso ponto de vista no audiovisual. Fomos (negros)excluídos sistematicamente dos espaços de projeção e, apesar de, mesmo assim, termos conseguido encontrar meios para demonstrar os nossos múltiplos talentos artísticos, hoje existe a possibilidade de ocupar certos espaços que nos foram negados. Temos como objetivo inscrever o filme em mais festivais e estamos também produzindo um novo curta e um documentário sobre a lei 10639, chamado “Quem nos educa?”.

Ficha técnica

Roteiro: Hugo Lima, Nathali de Deus, Lumena Aleluia

Atores: Mariama Bah, Lumena Aleluia, Carolina Netto, Alessandro Conceição, Cristiano Mattos, Jonh Conceição e Luciane Dom

Produção: Hugo Lima, Nathali de Deus e Nathália Rodrigues

Recurso técnico: 2 câmeras semiprofissionais (t3i), 1 tripé, 1 monopé e 1 rebatedo

Página do coletivo no Facebook.

Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Pedro Borges

Atividade é uma cerimônia de posse simbólica para Djamila Ribeiro e Gabriela Vallim

No dia 29/06, a partir das 19h30, Djamila Ribeiro, Secretária Adjunta de Direitos Humanos, e Gabriela Vallim, Coordenadora de Juventude, participam do debate “Mulheres Negras nos espaços de poder”. A conversa acontece na Galeria Olido, Largo do Paissandú, centro de São Paulo.

O evento coloca em pauta a pequena representatividade que a mulher negra tem no campo político brasileiro. A eleição de 2014 foi a primeira em que os candidatos eleitos declaram sua cor/raça ao Congresso Nacional. Na Câmara Federal, apenas 20% dos deputados se autodeclararam negros. Dos 513 eleitos, 410 deles (79,9%) se declararam brancos. No Senado, dos 27 eleitos, apenas 5 se declararam pretos ou pardos.

Quando o recorte de gênero se soma ao racial, a desigual situação das mulheres negras vem à tona. Se na Câmara Federal apenas 2,2% das deputadas são mulheres negras, no Senado, a representação é inexistente. Em 2014, nenhuma mulher negra foi eleita senadora no país.

 A diversidade de visões e experiências é fundamental para um espaço político mais democrático, de acordo com Djamila Ribeiro. “Importante trazermos nossas experiências e olhares a partir do lugar de onde falamos. A política ainda não representa a diversidade do nosso povo”. Mais do que ocupar, Djamila pensa que é preciso caminhar com ações que modifiquem a realidade. “E é preciso não somente ocupar esses espaços bem como estarmos comprometidas com uma agenda progressista”.

Entrevista de Djamila Ribeiro para o Alma Preta 

Gabriela Vallim ressalta a importância da  juventude negra se ver nestes espaços de poder. “Atualmente a representação de mulheres negras em cargos de decisão ainda não é suficiente, mas o cenário tende a mudar divido às lutas e conquistas diárias. A representatividade faz com que outros jovens negros consigam se enxergar, espelhar e entender que sim você pode chegar lá. Precisamos da presença negra em todos os espaços, nas mídias, na publicidade, na política, enfim, todos lugares”.

Veja a entrevista de Gabriela Vallim ao Alma Preta 

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