Texto: Neomisia Silvestre / Foto: Jornalistas Livres / Edição de Imagem: Pedro Borges

Um ano após a realização da 1ª Marcha do Orgulho Crespo, o movimento criado pela Hot Pente e pelo Blog das Cabeludas – Crespas e Cacheadas realiza sua 2ª edição neste domingo (07), a partir das 10h, com concentração no vão do MASP e trajeto marcado pela Avenida Paulista. A programação artística acontece no Centro Cultural São Paulo, Rua Vergueiro, 1000, das 14h às 19h, em celebração à cultura negra e ao fortalecimento da estética afro-brasileira como símbolo de resistência.

O movimento de combate ao racismo e a qualquer tipo de discriminação a partir da estética negra e do cabelo crespo, começou em São Paulo em 26 de Julho de 2015. Depois, a iniciativa se expandiu por todo o país e vem influenciando mulheres no Brasil e no mundo a repensarem uma estética negra, oprimida de maneira histíca e pautada por padrões eurocêntricos.

1° edição da Marcha contou com presença marcante de mulheres negras

Nesta 2ª edição, as organizadoras visam expandir e aprofundar o diálogo com mulheres negras agentes de economia criativa por meio de parceria inédita com a Feira Cultural Preta, maior evento de afroempreendedorismo da América Latina. A Feira Cultural Preta é apoiadora institucional da Marcha do Orgulho Crespo Brasil.

A programação inclui atividades como: Oficinas, Debates, Música, Intervenções artísticas e espaço para AfroEmpreendedoras. Todos espaços têm o objetivo de valorizar a identidade e a ancestralidade negra, assim como a representatividade, a autoestima, a livre expressão do cabelo natural e o empoderamento da mulher negra na sociedade.

Marcha do Orgulho Crespo é um movimento nacional de combate ao racismo e a qualquer tipo de discriminação a partir da estética negra, especialmente no que diz respeito aos cabelos crespos. Tem por objetivo a valorização da identidade e da ancestralidade negra; a representatividade, a autoestima, a livre expressão do cabelo natural e o empoderamento da mulher negra na sociedade, em todas suas vertentes e espaços.

Blog das Cabeludas foi criado em 2008 com a proposta de fotografar mulheres crespas e cacheadas para inspirar e empoderar outras a assumirem seu cabelo natural. É mantido por Nanda Cury.

Hot Pente é um projeto independente e itinerante de festa hip hop com protagonismo feminino. Criada em março 2014, a partir da iniciativa da jornalista Neomisia Silvestre e da estudante de moda Thaiane Almeida, o projeto visa a valorização da cultura negra e o espaço da mulher no hip hop. A provocação do nome remete ao uso dos shortinhos de 1940 e ao pente quente usado para alisar cabelos crespos.

Feira Cultural Preta é a maior feira de cultura negra da América Latina e que, em 2016, completa 15 anos de realização. Um conjunto de iniciativas colaborativas e coletivas que reforçam a identidade afro-brasileira e estimulam o empreendedorismo étnico na economia nacional.

Programação – Sala Adoniran Barbosa, CCSP

Mestre de cerimônia: Isis Carolina Vergílio
14h às 19h – Afroempreendedoras no mezanino

14h – Intervenção Poética
Convidadas: Mel Duarte, Raquel García, Miriam Alves, Jenyffer Nascimento e Jô Freitas

14h30 – Movimento Orgulho Crespo Brasil
Convidadas: Nanda Cury (SP), Neomisia Silvestre (SP), Luciellen Assis (BA), Dandara Marques (MG), Ivana Santos (SP), Letícia Vieira (DF), Débora Santos (RS), Suellen Rodrigues (RS) e Renata Terra (RJ)

15h – Mesa 1 – Afroconsumo
Convidada: Adriana Barbosa (Feira Cultural Preta)

15h30 – Mesa 2 – Estética Negra
Mediação: Diane Lima
Convidadas: Renata Prado, Ane Sarinara, Maria do Carmo Paulino, Gabriela Vallim e Diogo Oliveira

16h30 – Intervenção artística

17h30 – Encerramento: Show Tássia Reis

Programação paralela
 
Esquenta #OrgulhoCrespo com as manas da Don’t Touch My Hair – A Festa
After BATEKOO SP edição #OrgulhoCrespo
 
Serviço
 
Domingo, 07 de agosto
Concentração no vão do MASP a partir das 10h
Trajeto: Av. Paulista até Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000)
Capacidade Sala Adoniran Barbosa: 622 pessoas (acomoda deficientes físicos)
Classificação: Livre
Entrada Gratuita
Vídeo Jornalistas Livres sobre a 1ª Marcha: http://migre.me/s8kho
Facebook: Marcha do Orgulho Crespo Brasil
Instagram: @orgulhocrespobr
Twitter: @orgulhocrespo

Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Pedro Borges

Curso de medicina é um dos mais brancos e elitizados da universidade

Movimento negro organiza manifestação em frente à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) para exigir a adoção de cotas raciais no curso de medicina. Entre os articuladores do protesto estão o Coletivo Negrex, grupo formado por negras e negros estudantes de Medicina, Educafro, Uneafro e Movimento dos Sem Universidade (MSU).

No vestibular da USP de 2016, a quantidade de ingressantes pretos e pardos caiu em relação ao ano anterior. Em 2015, foram 391 pretos 1.642 pardos aprovados, ou 3,5% e 14,8% do total, respectivamente. Em 2016, o número reduziu para 328 pretos e 1.427 pardos, ou 3,2% e 14,0% do total, respectivamente. Os números são da instituição responsável pelo vestibular da USP, a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest).

O curso de medicina, um dos mais concorridos da USP, reduziu de maneira significativa o número de negros, soma de pretos e pardos, ingressantes em relação ao ano anterior. Em 2015, dos 300 aprovados pela vestibular, 234 (78%) eram brancos; 4 (1,3%) pretos; 30 (10%), pardos; 32 (10,7%), amarelos e nenhum indígena. Em 2016, dos 298 ingressantes, 238 (79,9%) são brancos; 2 (0,7%), pretos; 22 (7,4%), pardos; 36 (12,1%), amarelos; e nenhum indígena.

Suzane da Silva, estudante de medicina e integrante do Coletivo Negrex, acredita que, apesar do aumento da quantidade de estudantes negros em outras universidades, os números ainda são muito baixos. “A gente aumentou a nossa presença dentro da universidade, mas na medicina ainda são 2,7% dos estudantes que são negros. Então, até onde a gente avançou? 77% dos jovens exterminados são negros”.

Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Vinicius de Almeida

Última semana de inscrição para o curso online sobre feminismo negro

O curso online de formação sobre a história do feminismo tem início nesta sexta-feira, 19 de agosto, e término em 28 de setembro. O material ficará disponível no ambiente virtual de aprendizagem e os participantes poderão acessar o conteúdo dentro de sua rotina e disponibilidade. O Coletivo Dijejê, responsável pela construção do curso, dará apoio tutorial durante toda a formação e todas pessoas inscritas receberão um certificado ao término do curso.

Nessa edição, será abordado o pensamento de duas intelectuais negras, Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento. Lélia Gonzalez foi professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e uma das principais militantes do movimento negro no Brasil do século XX. Seu pensamento contribuiu para a compreensão do papel e da importância da mulher negra na luta organizada dos negros no pais. Lélia é a responsável por criar o conceito afrolatino, termino que designa a unidade na luta pan-africana pela libertação das negras e indígenas, em conjunto dos homens negros e indígenas na America Latina e Central.

Beatriz Nascimento, historiadora da UERJ, dedicou sua pesquisa aos quilombos e aos terreiros de candomblé. Ela destacou em seus escritos a importância da presença feminina nesses espaços e o valor incalculável dos terreiros de candomblé e suas tradições. Segundo Beatriz, sem a presença dos terreiros, e sem a vivência das mulheres negras nesse espaço, seria impossível termos viva a memória negra em nosso pais. O principal exemplo é o fato dos terreiros terem se mantido vivos por mais de 350 anos com as mesmas práticas.

Serviço:

As inscrições custam R$ 80,00 e vão até o dia 18 de junho. O pagamento pode ser feito via depósito, transferência pelo Banco do Brasil, ou via cartão de crédito via PayPal. Para se inscrever acesse aqui.

No dia 20 de Agosto, sábado, acontece turma presencial na cidade de São Paulo. As inscrições e outras informações podem ser adquiridas aqui.

Formato: Curso totalmente online (edu.kilombagem.net.br)

Metodologia: filmes, textos, fóruns de debates, atividades online, produção textual. O material fica disponível por 30 dias e você acessa dentro da sua rotina.

Duração: 30 dias (de 19 de Agosto a 28 de Setembro)

Certificação: 20 horas

Ementa:
Módulo 1 – Ori ou a origem (Beatriz Nascimento)
Módulo 2 – Os espaços negros de resistência: quilombos e terreiros de candomblé (Beatriz Nascimento)
Módulo 3 – As mulheres negras no quilombo e nos terreiros de candomblé (Betriz Nascimento)
Módulo 4 – Ser negro, ser negra (Lélia Gonzalez)
Módulo 5 – Feminismo Negro (Lélia Gonzalez)
Módulo 6 – Feminismo afrolatino e a unidade na luta pan-africanista (Lélia Gonzalez)

Avaliação Institucional – os participantes realizam a avaliação do curso

Bibliografia:

A categoria político-cultural de amefricanidade.” Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro (92/93): 69-82, jan./jun. 1988.
As amefricanas do Brasil e sua militância.” Maioria Falante. (7): 5, maio/jun. 1988.
Por um feminismo afrolatinoamericano.” Revista Isis Internacional. (8), out. 1988.
A importância da organização da mulher negra no processo de transformação social.” Raça e Classe. (5): 2, nov./dez. 1988.
Lugar de negro (com Carlos Hasenbalg). Rio de Janeiro, Marco Zero, 1982. 115p. p. 9-66. (Coleção 2 Pontos, 3.).
Documentário Ori (Beatriz Nascimento)
Eu sou atlantica (Beatriz Nascimento)
Materiais do arquivo pessoal de Beatriz Nascimento disponíveis no Arquivo Nacional

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