Texto: Vinicius Martins / Imagem: Alma Preta

Segundo Ministério Público não há materialidade do crime; parecer do TJ-SP pede reabertura do caso pela Polícia Civil

O processo que investiga a morte de Luana Barbosa dos Reis, 34 anos, foi arquivado pela Justiça Militar do Estado de São Paulo (JMSP). Ela morreu em abril de 2016 após ser espancada por três policiais militares durante uma abordagem em Ribeirão Preto (SP). Luana teve traumatismo craniano e isquemia cerebral como consequência das agressões.

O espancamento ocorreu após Luana se recusar a ser revistada por um policial do sexo masculino. De acordo com a família, os policiais tiveram uma conduta racista, machista e homofóbica, tendo em vista que Luana era uma mulher negra e lésbica.

Depois da morte de Luana, as investigações iniciais do caso foram feitas pela Polícia Civil e o processo corria na Justiça Comum. Após determinação do juiz Luiz Augusto Freire Teotônio, da 1ª Vara do Júri de Ribeirão Preto, a situação mudou e o processo foi encaminhado para a Justiça Militar.

O juiz emitiu a decisão logo após o delegado Euripedes Stuque pedir a prisão dos PMs envolvidos nas agressões. O magistrado negou os pedidos e decidiu que as investigações fossem conduzidas como lesão corporal. A decisão descartou a tese de homicídio adotada inicialmente pela Polícia Civil.

Eliseu Berardo Gonçalves, promotor do caso na esfera criminal, recorreu da decisão. Para ele, as investigações devem ser conduzidas novamente pela Polícia Civil. No último dia 31 de janeiro, a 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) acatou a decisão do promotor e determinou que as investigações da Polícia Civil fossem reabertas. Dessa forma, o processo volta para a Justiça Comum. A medida é vista como uma vitória para a defesa de Luana Barbosa.

Os três policiais envolvidos nas agressões continuam soltos e atualmente exercem funções administrativas dentro da corporação, exceto um deles que se aposentou no ano passado.

Curso do campus de Ribeirão Preto-SP é o mais concorrido da Fuvest
Texto: 
Pedro Borges / Edição de Imagem: Solon Neto

Bruna Sena, 17 anos, natural de Ribeirão Preto (SP), estudou durante toda a vida em escola pública. A partir de 2017 e durante os próximos anos, a sina deve continuar. Bruna foi aprovada em primeiro lugar no curso de medicina da USP de Ribeirão Preto, o curso de graduação mais concorrido da universidade.

O desejo pela medicina é recente, surgiu em 2016, quando uma amiga contou sobre o Cursinho Popular da Medicina (CPM). “É um projeto incrível pois permite que jovens de baixa renda tenham a oportunidade de ingressar na universidade”, conta Bruna.

Durante os estudos, Bruna se sentiu por diversas vezes desmotivada. Mesmo se sentindo inferior aos demais concorrentes, não desanimou. Hoje, a estudante exalta a conquista. “Estudei muito, é claro, mas não foi um mérito só meu, tive apoio familiar, principalmente de minha mãe, e também tive suporte nos estudos- embora houvesse uma luta diária pra 'nadar' contra a corrente em um sistema educacional tão desigual”.

Última pesquisa divulgada pela Fuvest em 2015, acerca da diversidade racial dos ingressantes na USP, mostra a enorme desigualdade entre negros e brancos. Se comparados os 10 cursos mais concorridos da universidade, das 794 vagas, o número de brancos variava entre 71,4% (audiovisual) e 84,4% (arquitetura em São Carlos).

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Por isso, Bruna destaca a importância de uma mulher, negra e pobre ingressar em primeiro lugar no curso mais elitizado da USP. “A representatividade é importantíssima e lutaremos por uma USP (e demais universidades) mais diversa, principalmente em um curso como o de Medicina. Espero inspirar muitas pessoas e mostrar que é possível sim”.

Uma das ferramentas utilizadas para a maior entrada de estudantes negros nas universidades foi a adoção da política de cotas. A UNESP é a única das estaduais paulistas a aderir ao sistema, algo ainda negado pela Unicamp e a USP. Bruna acredita que, de momento, é importante que a medida seja adotada como forma de diminuição das desigualdades. “Qual a proporção de negros no ensino superior? O passado histórico do Brasil, o que vivemos hoje, essa enorme disparidade entre brancos e negros, é uma consequência de nosso passado escravista e das subsequentes políticas de exclusão e marginalização da comunidade negra. Esse fatores não podem ser desconsiderados”.

A jovem reconhece a luta histórica por uma maior participação de estudantes negros nas universidades e pretende se juntar ao Coletivo Negro da USP de Ribeirão Preto. “Acho muito importante fazer parte do coletivo para compartilhar informações e experiências e, assim, aprender também”.

Flores de Baobá é o mais novo projeto da cineasta Gabriela Watson 

Texto e Edição de Imagens: Solon Neto 

Filmado simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos, Flores de Baobá é um documentário que aborda racismo e acesso à educação como um problema internacional.

Através das histórias das professoras de ensino médio, Storm Foreman (Nyanza Bandele), da Filadélfia, Estados Unidos, e Priscila Dias, da cidade de São Paulo a diretora Gabriela Watson Aurazo retrata a luta das comunidades negras dos dois países na tentativa de garantir o direito à educação, e é resultado de dois anos de pesquisa.

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Flores de Baobá usa poesia ao lado da observação para abordar as proximidades entre mulheres negras e as lutas locais relacionadas à educação e igualdade. O documentário questiona a desigualdade no acesso à educação de qualidade pela população negra, aponta necessidades curriculares como uma abordagem positiva da ancestralidade africana, e evidencia o papel das mulheres negras nesse processo. Nyanza e Priscila são postas lado a lado para mostrar essas semelhanças que a população negra tem em suas demandas em diversos países, e se mostram modelos inspiracionais no ativismo anti-racista.

Financiamento Coletivo

Com o objetivo de lançar o trabalho ainda em 2017, Gabriela divulgou no final do ano passada um projeto de financiamento coletivo para o filme. Com meta de R$ 35.000,00, o projeto já alcançou 3% do montante com 17 apoiadores.

Para contribuir basta acessar o projeto aqui, cadastrar-se e realizar a doação. De acordo com a contribuição escolhida, o projeto permite algumas regalias que vão desde sessões exclusivas com prévias do filme e acesso à trilha sonora, a ingressos para a estreia e eventos com a diretora do filme. As contribuições serão arrecadadas até o dia 22 de Março.

 

Formada em Comunicação pela Cásper Líbero e mestranda pela Master Fine Arts da Universidade de Temple, nos Estados Unidos, a diretora Gabriela Watson tem entre seus trabalhos os documentários "Nosotros, afroperuanos" e "Zeca", além dos filmes "O Poeta da Casa Verde" e "CinEdu – Cinema, Educacao e a Formação do olhar". Destaque,"Nosotros, afroperuanos chegou a ser exibido em mais de 10 países. Além de Gabriela, o filme conta ainda com uma equipe de produras executivas. São elas: Dra. Doris Derby, ex-ativista do Movimento dos Direitos Civis no Mississipi, fotógrafa documental; Joyce Prado, fundadora da "Oxalá Produções" e diretora de obras como a websérie "Empoderadas"; Melissa Beatriz Skolnick, documentarista e multimedia storyteller, ativista em ONGs da Filadélfia.

Links:

Página no Facebook: https://www.facebook.com/floresdebaoba/?ref=page_internal

Projeto no Catarse: https://www.catarse.me/floresdebaobafilme

Website: http://www.baobabflowersfilm.com/

FICHA TÉCNICA

Ano de Lançamento: 2017
Direção e Argumento: Gabriela Watson Aurazo

Produção Executiva: Doris Derby Joyce Prado, Melissa Skolnick

Direção de Fotografia: Hannah Angle, Tomires Ribeiro e Renato Cândido

Trilha Sonora: Lucas Cirillo e Giovani Di Ganzá

Assistentes de câmera: Quynh Le, Kayla Watkins

Assistência de Direção: Renata Martins

Assistência de Produção: Aiko Brown, Mark Kaercher, Pamella Aleixo, Talícia Vênancio, Jessica Cruz

Som Direto: Renata Martins, Ana Julia Travia, Lucas Wozniak, Felipe Faria de Miranda

Montadora: Jéssica Queiroz

Assistente de edição: Bianca Santos

Consultoria: Liliane Braga, Maria Giraldo, Dançarina: Cleonice Fonseca 

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