Texto: Pedro Borges / Fotos: Pedro Borges

Estudantes negros da universidade protestam por cotas Universidade de São Paulo

Os relógios no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, apontavam 19h e 10°C quando o ato saiu em direção à Universidade de São Paulo (USP). O frio não foi suficiente para tirar negras e negros, universitários ou não, das ruas para exigir cotas na principal universidade brasileira.

O tempo do dia 24 de junho contrastava com a energia e os gritos dos manifestantes. O trajeto pelas principais avenidas da região, Faria Lima, Eusébio Matoso, Vital Brasil, parou o trânsito e chamou a atenção de quem estava nas ruas.

Estudantes protestam pedindo cotas na USP; universidade continua resistente à proposta

A grande presença de policiais militares não condizia com o ambiente da manifestação. Nele, era possível ver as mais diversas gerações de resistência negra no país. Desde secundaristas, jovens estudantes da USP até Milton Barbosa e José Adão de Oliveira, fundadores do Movimento Negro Unificado (MNU), em 1978.

A entrada na USP reacendeu a necessidade dos questionamentos escritos nas faixas carregadas pelos protestantes. A imensa quantidade de estudantes brancos no campus fomentou a pergunta: “Por que a USP não tem cotas?”.

O fim do protesto aconteceu em frente aos prédios do Conjunto Residencial da USP (CRUSP). Essa foi uma maneira de demonstrar apoio aos moradores do local, que exigem melhores condições de moradia estudantil por parte da universidade, e forma de repúdio à última repressão feita pela Polícia Militar no local, quando jovens estudantes tentaram ocupar o prédio, inativo pela reitoria e utilizado como depósito. De acordo com os estudantes, a falta de espaço nas unidades ativadas do CRUSP tem obrigado pessoas a dormir nas cozinhas do prédio.

Pressão pelas Cotas

No dia 27, segunda-feira, a partir das 18h, os estudantes negros da USP organizam uma série de atividades culturais no campus da USP. A “Virada por que a USP não tem cotas?” termina no dia 28, quando, a partir das 14h, o Conselho Universitário decide sobre o ingresso de estudantes para o ano de 2017 e a questão de cotas raciais.

A atividade, que conta com a participação de artistas como KL Jay, DJ dos Racionais MC’s, MC Linn da Quebrada, Luedji Luna e Biscartie da Batekoo, tem o intuito de mobilizar os estudantes afim de pressionar a universidade a adotar a política de cotas.

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

Onde Estamos

Endereços e Contatos
18-80. Jd Nasralla - Cep: 17012-140
Bauru - São Paulo
contato(@)almapreta.com

Mais Lidos