Data marca os 129 anos da abolição da escravatura no país. Eventos organizados no dia discutem a atual condição do negro e os avanços necessários para a melhoria da vida dos afrodescendentes no Brasil.

Texto / Pedro Borges
Imagem / Alma Preta

No dia 13 de Maio de 1888, após a comunidade negra organizar levantes como a Revolta dos Males, resistir no Quilombo de Palmares e depois de pressões políticas internas de abolicionistas e externas de nações como a Inglaterra, a lei áurea foi assinada, colocando fim ao trabalho escravo no país. De lá para cá foram 129 anos e desde então o movimento negro articula atividades para discutir os avanços e as permanências daquele período histórico.

A data coincide com a semana de divulgação da pesquisa “Instinto de Vida” do instituto Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O documento segue a linha de outras pesquisas e aponta uma maior vulnerabilidade de sujeitos negros. De acordo com os dados apurados, 35% dos brasileiros conhecem alguma vítima de homicídio, números que sobem para 38%, quando os entrevistados são negros, e caem para 27%, quando brancos.

No sábado, por todo o país, os movimentos sociais constroem momentos de reflexão sobre o genocídio negro, encarceramento em massa, literatura, entre outros temas. O Alma Preta selecionou alguns eventos que acontecem na cidade e no estado de São Paulo neste final de semana.

Atos e debates

Na cidade de Bauru, interior do estado, das 9h às 11h, no centro do município, o movimento negro organiza uma marcha contra o racismo. O ato pretende dar continuidade à luta “ancestral de negras e negros” pelo fim do preconceito e da discriminação racial.

Os organizadores apontam que, depois da assinatura da lei áurea no país, o negro recebeu a condição de semi-cidadão e sobrevive desde a época de maneira marginal, sem as mesmas oportunidades dos sujeitos não negros em todos os âmbitos sociais.

Em São Paulo, das 13h às 16h, a Rede Quilombação organiza o debate “Da abolição inacabada ao encarceramento”. O evento ocorre na sede do Sindicato dos Bancários, Rua São Bento, 413, e visa discutir a política de encarceramento em massa e o genocídio da juventude negra como uma continuidade do regime escravocrata.

As convidadas para o debate são Cláudia Adão, assistente social e mestranda no Programa de Pós Graduação em Mudança Social e Participação Política da USP, Marisa Feffermann, mestre e doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP, e Nathália Oliveira, coordenadora da Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas.

“As relações raciais” também são tema de diálogo na Rua Cerqueira César, 703, Jardim Santa Tereza, Embu das Artes. A partir das 15h, o coletivo ZumaLuma convida todos para discutir com Thiago Kairu, coordenador do núcleo de combate ao racismo ZumaLuma, Crica, integrante do coletivo Grafite Mulher Cultura de Rua, Daniel Kafuzo, rapper e integrante da produtora cultural A Banca, Gabriel Silva, aluno do Zumaluma, e Vitor Silva, estudante de ciências sociais da USP.

O debate se utiliza das ideias e dos conceitos de Angela Davis e Malcolm X para refletir sobre a posição do negro no mundo moderno e a construção das identidades raciais.

Sarau e festa

O Sarau Suburbano organiza uma edição especial neste sábado, a partir das 15h, na Livraria Suburbano Convicto, Rua Treze de Maio, número 70, 2° andar. O encontro é apresentado pelos poetas Alessandro Buzzo e Akins Kintê.

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Com o lema “Um dia nós decretaremos a abolição”, o sarau faz uma parceria com a revista “Fragments of a Street Flauner”, que se define enquanto nômade, independente e focada nas questões envolvendo a “rua”.

A quem se apresentar e autorizar, a revista promete traduzir os textos para o inglês. A edição será divulgada em Outubro, na Livraria Suburbano Convicto.

À noite, é a vez da quadra do Vai-Vai, Rua São Vicente, 127, receber a festa “Umoja – Noite de Tambores Afro”. A celebração é precedida pela tradicional lavagem em tom de protesto da Rua 13 de Maio pelos integrantes da escola de samba.

Depois do ato simbólico, das 22h às 3h da manhã, uma série de nomes da cultura popular de São Paulo se apresenta na quadra. Entre eles, destaque para a participação de Raquel Trindade, Bloco Afro Ilú Obá De Min, ala dos compositores, velha guarda e a bateria da Vai-Vai, Sarau da Cooperifa, Grupo Afro Umoja e Forró Pé de Serra. Durante a noite, como presente de dia das mães, os organizadores promovem uma homenagem às Mães de Maio, às Mães de Osasco, às Mães Mogiana e às Mães em Luto da Zona leste.

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O evento tem o apoio de APAA, Al Janiah, Centro Cultural da Juventude (CCJ), Cooperifa, Cordão da Mentira, Comunidade Portelinha & Viela 18 (Capão Redondo), Espaço Cultural Bela Vista, Fala Guerreira, Instituto Bixiga de Pesquisa, Formação e Cultura Popular, Samba do Jardim Edith, SOS Racismo Brasil.

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