Caso, protocolado no balcão da Secretaria de Direitos Humanos, segue sendo apurado pela Prefeitura de São Paulo e a Rede Armarinhos Fernandes.

Texto / Pedro Borges
Foto / Acervo pessoal

A empresária Juliana Martins passeava pela loja da rede Armarinhos Fernandes na Rua 25 de Março, número 662, no dia 12 de Maio, com o objetivo de comprar um presente. Depois de muito escolher, Juliana decidiu-se por uma boneca negra, uma lembrança para a filha de um amigo.

Quando se deslocou para o caixa, a jovem de 25 anos percebeu ser seguida por um segurança. O funcionário, que a acompanhou até a fila de pagamento, comunicou via rádio que “ficaria de olho na menina negra”, de acordo com a empresária.

Inconformada, Juliana relatou as ofensas ao RH da loja e prestou queixa à Secretaria de Direitos Humanos. Ela acredita ter sido vista pela equipe de seguranças como “suspeita”, padrão social imposto a mulheres e homens negros.

Faixa para textos BAP

Ao invés de recorrer à polícia e abrir um Boletim de Ocorrência, Juliana decidiu prestar queixa via Secretaria de Direitos Humanos, órgão que tem ofertado apoio jurídico, emocional e estratégico à jovem. Juliana tem sido acompanhada por uma assistente social e tem pensado em ações para discutir junto à loja e à equipe de seguranças maneiras de enfrentar o racismo.

“Eu sempre tento tratar situações onde o racismo aparece de maneira estratégica onde todas as pessoas envolvidas sejam colocadas para refletir”, conta Juliana Martins.

A jovem empresária não enxerga o racismo como algo pontual ou um desvio de conduta. Para ela, trata-se de uma questão presente em todas as esferas da sociedade brasileira. “O racismo está inserido nas nossas relações sociais diárias e está nos poros da sociedade que a gente vive”, explica.

Outros lados

A Rede Armarinhos Fernandes, em nota emitida ao Alma Preta, “informa que o caso está sendo apurado internamente. A empresa ressalta que repudia qualquer forma de discriminação”.

Apesar de não emitir nota oficial sobre o ocorrido, a Secretaria de Direitos Humanos e o Centro de Referência de Igualdade Racial acompanham o caso.

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