Protesto é uma resposta à condenação de 11 anos de regime fechado de Rafael Braga, único preso das manifestações de junho de 2013. Movimentos sociais acusam medida de racista.

Texto / Pedro Borges
Imagem / Divulgação

No dia 24 de Abril, segunda-feira, diversos movimentos sociais fazem vigília contra a sentença de Rafael Braga, único preso das manifestações de junho de 2013 e condenado no dia 20 de Abril, quinta-feira, a 11 anos de prisão. O ato acontece no vão livre do MASP, Avenida Paulista, 1578, das 18h às 23h.

O chamado pede para as pessoas comparecem à Avenida Paulista com roupas pretas e velas, em homenagem a Rafael. No meio digital, os organizadores pedem para que se divulgue as campanhas #SomosTodosRafaelBraga e #RafaelBragaLIVRE, e troquem as fotos de perfil e capa no Facebook por mensagens de apoio ao jovem.

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Entre os organizadores do ato estão a Frente Alternativa Preta, a Agenda Preta, a Uneafro, a Campanha Nacional pela Liberdade de Rafael Braga e as Mães de Maio.

O caso

No dia 20 de Abril, quinta-feira, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro emitiu sentença que responsabiliza Rafael Braga por tráfico e associação para o tráfico de drogas. O juiz Ricardo Coronha Pinheiro condenou o ex-catador de latas a 11 anos e três meses de prisão e multa de R$ 1.687.

A medida é mais um capítulo na história de Rafael Braga com o judiciário brasileiro. A primeira ação do Estado contra ele aconteceu durante as manifestações de junho de 2013. Na época, milhares de pessoas ocuparam as ruas das grandes cidades brasileiras, primeiro em protesto contra o aumento das passagens de ônibus e a repressão policial, e depois contra uma série de demandas sociais. Nesse contexto, Rafael foi o único preso, acusado de carregar material explosivo, quando em sua mochila foram encontrados dois frascos lacrados de produtos de limpeza.

Em 12 de Janeiro de 2016, Rafael cumpria sua pena em regime aberto, quando caminhava com uma tornozeleira eletrônica da casa de sua mãe para uma padaria na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio de Janeiro, e foi abordado por policiais. Eles alegaram ter encontrado com Rafael 0,6 g de maconha, 9,3 g de cocaína e um rojão. O jovem nega ser o responsável pelas drogas e afirma ter sido ameaçado pelos policiais, que queriam que Rafael anunciasse quem seriam os traficantes da região. De acordo com o jovem negro, os policiais teriam dito que “jogariam arma e droga na conta dele”.

O juiz responsável ouviu cinco testemunhas de acusação e uma de defesa, o de Evelyn Barbara, vizinha de Rafael Braga. Ela disse ter visto o jovem ser abordado pelos policiais, sem qualquer objeto em mãos. Rafael depois foi agredido e arrastado para um ponto distante da visão da vizinha. O juiz não levou em consideração o depoimento de Evelyn Barbara.

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