O ato, organizado por uma série de entidades, reuniu um grande número de pessoas mesmo com tempo chuvoso. A manifestação também foi marcada por uma multa aplicada pela CET aos organizadores da marcha

Texto / Pedro Borges
Foto / Solon Neto

Cerca de 15 mil pessoas participaram da 14° Marcha da Consciência Negra, no dia 20 de Novembro, durante o feriado que recorda a morte de Zumbi, um dos líderes do Quilombo dos Palmares. O início da concentração se deu a partir das 13h, em frente ao vão livre do MASP, e o protesto terminou às 19h, no Teatro Municipal, centro da cidade.

Os manifestantes pediram ao longo da marcha pelo fim do projeto de genocídio negro, pelo término das desigualdades raciais existentes no país, e conclamavam pela necessidade de se construir um projeto de Brasil que reconheça a humanidade das pessoas negras.

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Vítimas da violência policial, como a criança Ítalo, foram recordadas durante o ato (Foto: Solon Neto/Alma Preta)

“A gente sabe que um projeto político de vida para o povo negro é um projeto para o Brasil”, conta Juliana Gonçalves, integrante da Marcha das Mulheres Negras e uma das articuladoras do ato do 20 de Novembro.

O cantor Seu Jorge foi outro que compareceu e ressaltou a necessidade de se acabar com a violência contra a comunidade negra e o extermínio da juventude afro-brasileira.

“O dia 20 de Novembro não é simplesmente um dia de festa. É um dia de tomada de consciência, porque há mais de 500 anos o negro sofre nesse país. E agora a gente tem que agarrar e acabar com o genocídio do homem, mulher, e criança negra”.

Multa

Durante a manhã, o movimento negro foi informado pela Companhia de Engenharia e Trânsito (CET) de que não poderia utilizar o carro de som pela Avenida Paulista.

As entidades articuladoras do ato relatam que a CET não enviou representantes para os encontros de organização da marcha, e que foram pegas de surpresa com a notícia.

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Presença marcante das mulheres negras por toda a marcha (Foto: Solon Neto/Alma Preta)

Douglas Belchior, integrante da Frente Alternativa Preta, diz que houve a tentativa de construir um diálogo com a prefeitura durante a semana. Ele também conta que, em meio às barreiras impostas pela CET, optaram por dar prosseguimento à marcha.

“A gente fez a opção política de, mesmo com a tentativa de impossibilitar o carro de som, dar continuidade ao ato, mesmo com o risco iminente e já declarado de que vamos pagar uma multa”. A punição está no valor de R$ 5.800.

Os manifestantes, autuados por estacionarem o carro de som em frente ao MASP, optaram pelo não deslocamento dele para a pena não ser ainda maior. Os articuladores fizeram o trajeto normalmente e tiveram acesso ao carro apenas na Rua da Consolação.

A CET negou em nota à Rede Brasil Atual que tentou impedir a manifestação. Para a companhia, o caminhão interferiria no programa “Ruas Abertas”, que deixa a Avenida Paulista nos domingos e feriados aberta ao público.

A instituição afirma que o pedido para a utilização do carro pela Avenida Paulista foi negado, e que a ação foi baseada no Termo de Ajustamento de Conduta do Ministério Público, responsável por autorizar a realização de apenas três eventos no local durante o ano, Parada LGBT, Reveillon, e corrida São Silvestre.

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