A mostra Cinema Negra, acontece entre 19 a 22 de outubro, exibe filmes de diretoras negras no Cine Santa Tereza. A programação também conta com rodas de conversa com as diretoras e uma mesa de debate com representantes da Ancine e da Secretaria do Audiovisual de Belo Horizonte.

Texto e Imagem / Divulgação

A 1ª Mostra Cinema Negra conta com a presença de Adélia Sampaio - primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil - e nasce da urgência de se promover o debate a respeito da sub-representação das produções de realizadoras(es) negras(os) nas telas de cinema nacionais. Segundo dados o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMMA, 2014), as mulheres negras estão completamente ausentes das lideranças profissionais em grandes produções audiovisuais (aqueles com mais de 500 mil espectadores) enquanto os homens negros representam 2%, mulheres brancas 13% e homens brancos 84%.

A Mostra Cinema Negra se apoia no feminino a fim de trazer destaque para as mulheres negras, que enfrentam desigualdade de gênero e cor/raça. A mostra objetiva também o reconhecimento das potentes produções de cineastas negras, apresentando obras de diretoras locais como Dayane Gomes e Carolina Canguçu e diretoras de reconhecimento nacional como Adélia Sampaio e Viviane Ferreira. A mostra também responde a demanda do público por filmes de diretoras negras, que, apesar de terem seus filmes exibidos em festivais renomados como Cannes, ainda encontram dificuldades de inserção nos circuitos de mostras e festivais brasileiros.

Sobre a Programação

A programação da mostra estreia com o filme Amor Maldito e a ilustre presença Adelia Sampaio, no debate posterior a exibição do filme. Adélia se aproximou do cinema em 1968, como telefonista da DiFilme. Passou por quase todas as funções no cinema: continuísta, maquiadora, câmera, montadora e produtora, em mais de 70 produções, antes de chegar a direção. Nas décadas de 1970 e 1980, filma seus primeiros curtas metragens (Denúncia Vazia, Agora um Deus Dança em Mim, Adulto não Brinca, e Na Poeira das Ruas), e em 1984 filma o longa Amor Maldito que traz a temática da homossexualidade feminina de forma ousada e inovadora confirmando a atualidade do filme.

No segundo dia serão exibidos dois médias metragens. Tança (Carolina Canguçu, Luana Gonçalves e Gercino Batista) e Do Que Aprendi Com Minhas Mais Velhas (Susan Kalik e Fernanda Júlia). Após a exibição do filme haverá uma conversa com Dona Bina, uma das lideranças do Quilombo do Matição e uma das personagens do filme Tança.

No sábado, a mostra começa às 16h como uma sessão infantil, trazendo os filmes: O Barquinho e a Baleia (Dayane Gomes e Débora Arau), No Caminho da Escola (Projeto Animação) e O Tempo dos Orixás (Eliciana Nascimento), este último, integrou a programação do “Short Film Corner”, da 7ª edição do Festival de Cannes (2014). Mais a noite às 19h haverá uma sessão de curtas sobre temas diversos, rituais que dialogam com o feminino, a negritude, o empoderamento negro, à depressão, a crítica ao excesso de consumo de remédio e a questão indígena. Após a exibição dos filmes será feito um debate com as diretoras Dayane Gomes, Mary Astrus e Juliana Pacheco.

No último dia haverá um debate importante e sobre as produções de Realizadoras Negras no Cinema e Estratégias e Financiamento com a presença de :

• Viviane Ferreira (cineasta, advogada e presidenta da Associação dxs Profissionais do Audiovisual Negro - APAN),

• Carolina Costa, Eloísa Silva e Maria Gabriela Gomes (Idealizadoras da Mostra de Filmes Diversidades e servidoras da ANCINE)

• Francisco Matias (Diretor de Fomento à Produção Audiovisual - Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais).

A mostra encerra com a exibição do filme O Dia de Jerusa (Viviane Ferreira), filme que também integrou a programação oficial do “Short Film Corner”, da 7ª edição do Festival de Cannes, ocorrida em maio de 2014.

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