Esse é o segundo ano consecutivo em que o movimento de mulheres negras organiza uma marcha no 25 de Julho, Dia Internacional da Mulher Afro-latinoamericana.

Texto e Foto / Pedro Borges

No Dia Internacional da Mulher Afro-latinoamericana, data celebrada em 25 de Julho, cerca de 5 mil pessoas marcharam pelas ruas de São Paulo em protesto contra o racismo, o machismo e pelo bem viver.

A concentração do ato teve início às 18h na Praça Roosevelt, centro, onde mulheres negras, de diferentes organizações políticas, pronunciaram palavras de ordem contra o projeto genocida do Estado brasileiro, a condição histórica de vulnerabilidade social da mulher negra, e as reformas trabalhista e da previdência do governo Michel Temer.

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Ester Maria de Paula, psicóloga e integrante do coletivo Adelinas, ressalta a importância das mulheres negras irem às ruas pelos seus direitos. “Estarmos em marcha e em sintonia nos proporcionou estarmos conectadas com nossa ancestralidade. Cada abraço parece nos dar força pra enfrentar vários socos diários do sistema racista, misógino, lesbofóbico, transfóbico e capitalista”.

Os manifestantes, na sua grande maioria mulheres negras, saíram da praça por volta das 19h30 em direção ao Largo do Paissandu, também no centro da cidade, local escolhido para o encerramento do protesto.

Durante o trajeto, os manifestantes pararam ao lado da Biblioteca Mario de Andrade, onde diferentes grupos de mulheres indígenas organizaram um ato simbólico em memória as suas tradições históricas, e onde houve o pronunciamento de mais palavras de ordem por parte das articuladoras da marcha.

Em frente ao teatro municipal, o grupo Levante Mulher fez uma encenação teatral em que exaltava a força da mulher negra e a figura de Dandara, líder do Quilombo dos Palmares.

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Encenação do grupo Levante Mulher durante a Marcha das Mulheres Negras (Foto: Pedro Borges/Alma Preta)

Depois da intervenção artística, o ato partiu para o seu destino final, no Largo do Paissandu, onde cantoras como Mc Soffia, Luana Hansen, e Yzalú encerraram o encontro com apresentações musicais.

Juliana Gonçalves, jornalista e uma das organizadoras da Marcha, fez uma avaliação positiva do protesto, que conseguiu reunir mulheres negras de diferentes gerações e visões políticas. “Eu acho muito importante a Marcha ser esse lugar de diálogo tendo como ponto em comum a luta por uma nova ideia de sociedade e um novo marco civilizatório para o Brasil”.

Outra conquista da Marcha foi a articulação entre as mulheres negras e indígenas, relata Juliana. “O novo tempo pede esse diálogo com a população indígena, e eu acho que aprendemos muito dos dois lados. A gente pretende que esse diálogo seja cada vez mais intenso”.

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Grupo Levante Mulher em frente ao Teatro Municipal de São Paulo (Foto: Pedro Borges/Alma Preta)

Dia da Mulher Afro-latinoamericana

No ano de 1992, na cidade de Santo Domingo, República Dominicana, instituiu-se 25 de Julho como o dia da Mulher Afro-latinoamericana e caribenha. A data visa dar destaque à resistência das mulheres negras em toda a América Latina e à luta contra o racismo e o machismo.

O Brasil só adotou a data no calendário oficial da nação em 2 de Junho de 2014, o que sagrou o país como o último a celebrar o dia de maneira oficial. A lei 12.987, proposta de autoria da ex-senadora Serys Slhessarenko, escolheu por homenagear o 25 de Julho com o nome da líder quilombola do Mato Grosso, e transformar a data em Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

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