Desfile aconteceu na madrugada de segunda-feira e está entre os assuntos mais comentados do Twitter

Texto / Thalyta Martina
Foto / Mídia Ninja

Com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, a Paraíso de Tuiuti do carnavalesco Jack Vasconcelos fez da passarela da Marquês de Sapucaí um palco para críticas à escravidão e seus resquícios, à Reforma da Previdência, ao governo do atual presidente, Michel Temer, e aos manifestantes que foram às ruas vestindo verde e amarelo pedir o impeachment da ex-presidente da República, Dilma Rousseff.

Com 29 alas, cinco alegorias e um tripé divididos entre 3.100 integrantes, a escola desfilou por uma hora e quinze minutos. A comissão de frente foi o ponto alto do desfile. Chamada de “O grito da liberdade”, a ala representou pessoas negras escravizadas, suas dores e sua cura por meio do Preto Velho, símbolo de esperança, fé e amor. A alegoria saiu da avenida com aplausos e gritos de “Fora Temer” do público. 

Confira a letra, composição de Aníbal, Claudio Russo, Dona Zezé, Jurandir e Moacyr Luz:

Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado
Senhor, eu não tenho a sua fé e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz

Eu fui mandiga, cambinda, haussá
Fui um Rei Egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se plantava gente

Ê Calunga, ê! Ê Calunga!
Preto velho me contou, preto velho me contou
Onde mora a senhora liberdade
Não tem ferro nem feitor

Amparo do Rosário ao negro benedito
Um grito feito pele do tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor...

E assim quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel

Meu Deus! Meu Deus!
Seu eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação

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