Texto: Pedro Borges / Imagem: Moska Santana / Edição de imagem: Pedro Borges

Evento é organizado pela Frente de Mídias Negras de São Paulo em parceria do Celacc/Usp

Entre os dias 15 e 16 de julho, a Frente de Mídias Negras de São Paulo organiza um curso para apresentar o histórico da comunicação preta no país, a sua situação no presente e as técnicas utilizadas para a criação das novas plataformas digitais. A proposta é oferecer aos participantes as ferramentas básicas para a construção de um portal ou blog.

A atividade acontece na Usp, no campus Butantã, e conta com a parceria do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação, CELACC-USP. O chefe do departamento de jornalismo e coordenador do CELACC-USP, professor Dennis de Oliveira, ressalta a importância da atividade. “Formação na comunicação eu sempre digo que é continua, ela nunca termina. Qualquer tipo de iniciativa, formação que tenha esse viés político, teórico, conceitual e prático sempre é bem vinda”.

Grupo é uma organização das mídias negras na cidade de São Paulo

Para o professor da USP, há hoje uma espécie de “inflação de informação” nas redes sociais e um curso teórico e prático sobre as mídias negras é a possibilidade de comunicadores pretos aperfeiçoarem seu conteúdo divulgado na internet. “Você tem muita gente produzindo informação, disseminando isso via redes sociais, via as plataformas digitais. E é importante então que aquelas iniciativas de comunicação que tenham uma perspectiva política e ética de transformação social, como são as mídias negras, se destaquem dessa inflamação de informação pela sua qualidade. A qualidade hoje é fundamental e qualidade quando eu digo, não é só do ponto de vista estético, mas é entender a importância política dessa iniciativa. É entender que isso faz parte de um processo histórico que outros ativistas já tiveram”.

Cronograma e convidados

No dia 15 de julho, a partir das 18h, os professores Dennis de Oliveira, Rosane Borges e Ricardo Alexino são os responsáveis por discutir o histórico das mídias negras no país. Na manhã seguinte, Pedro Borges do Alma Preta e Jéssica Moreira do Nós, Mulheres da Periferia dão um panorama sobre as mídias negras na atualidade.

No período da tarde, começam as oficinas técnicas. Renato Rovai da Revista Fórum mostrará ferramentas de busca e possibilidades de tornar o conteúdo mais fácil de ser acessado nas redes. Odemur será o responsável por apresentar técnicas de programação e plataformas possíveis para abrigar novas iniciativas na internet.

As integrantes do Nós, Mulheres da Periferia, Jéssica Moreira e Semayt Oliveira, ministrarão a oficina de texto para jornalismo especializado na internet e Mayara Penina, também integrante do grupo, ficará responsável por apresentar maneiras de potencializar o alcance de publicações nas redes sociais. Vinicius Martins, membro do Alma Preta, é quem vai apresentar técnicas multimídias e de design para os inscritos.

Celacc-USP é parceiro na construção do curso

Jéssica Moreira pensa que vivemos em outra realidade no campo da comunicação. Agora, não há mais um receptor da informação passivo e por isso é preciso apresentar todas as ferramentas possíveis de comunicação para que essa população negra e periférica continue a produzir e melhore cada vez mais o conteúdo já divulgado nas redes. “Democratizar as ferramentas de uso na internet também é um modo de democratizar a própria comunicação. Se cada um/uma aprender as técnicas utilizadas para formulação de sites, assim como as ferramentas necessárias para seu funcionamento, novas vozes podem ser multiplicadas, assim como novos jeitos de se contar histórias que, durante séculos, foram escritas por pessoas que não vivem a realidade das histórias que contam. Exemplo disso são as mídias negras, que cumprem um importante papel não só de democratização midiática, mas também de ampliação da memória, cultura e narrativa negra”.

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Frente de Mídias Negras de São Paulo

O grupo nasceu em 2015 com o intuito de aproximar diferentes iniciativas de mídia negra para discutir a democratização da comunicação no país sob o prisma da questão racial. A Frente tem por objetivo também documentar as experiências históricas da mídia negra no Brasil.

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