Nascido em Chicago, Illinois (EUA), Herbie conheceu o piano aos sete anos de idade recebeu uma educação musical clássica. Aos 11 anos era capaz de executar o “Piano Concerto No. 26” (ou Coronation) de Mozart ao lado da Orquestra Sinfônica de Chicago.

Texto e imagem / Vinicius Martins

Em 1968, ao se casar com Gigi Hancock, o pianista Herbie Hancock e sua esposa escolheram o Brasil como destino de sua lua de mel. Empolgados com o país e a viagem, resolveram estender sua passagem pelas terras brasileiras por mais tempo do que o previsto. Como consequência, Herbie foi demitido do posto de pianista que ocupava na banda do lendário Miles Davis.

Apesar das consequências, o pianista atribui o atraso em sua volta para os EUA a problemas com alimentos na noite de seu casamento. “Eu me casei em 1968, e minha esposa e eu fomos para o Brasil para nossa lua de mel. Então eu tive intoxicação alimentar na minha noite de núpcias”, afirmou anos atrás ao jornal britânico Independent.

Herbie diz até hoje que Miles Davis não acreditou na história da intoxicação. Segundo o pianista, à época, todos os músicos da banda tinham a intenção de sair. Apesar do fim da parceria, Herbie Hancock e Miles Davis continuaram amigos, ocasionalmente trabalhando juntos nas décadas seguintes.

A jornada ao lado de Miles marca período importante de sua carreira musical, sendo o momento definidor de seu estilo e evolução no Jazz. De 1963 a 1968, apenas aos 23 anos, Herbie Hancock tocou ao lado de nomes importantes do jazz norte-americano como o baixista Ron Carter, o baterista Tony Willians e o saxofonista Wayne Shorter. Juntos eles formavam o grupo conhecido como Segundo Grande Quinteto de Miles Davis.

Aqui Herbie Hancock chamou a atenção de todos pela forma como introduzia acordes comuns de formas inovadoras, mas também por ter popularizado acordes nunca antes usados na mecânica do jazz. Sua evolução garantiu participação em gravações de jazzistas importantes do período como o saxofonista Hank Mobley, o trompetista Lee Morgan, o cantor e compositor Kenny Dorham, entre outros.

Nesse período também conseguiu espaço para suas próprias gravações. Os álbuns Empyrean Isles (1964) e Maiden Voyage (1965) consolidaram-se como dois dos mais importantes LPs de jazz dos anos 60, pela experimentação e acessibilidade acima da média para a época de sua criação.

Ambos são considerados a base do post-bop, gênero de jazz do meio dos anos 60 que abarcava pequenos grupos de músicos, que intercalam melodias mais simples com improvisações mais complexas.Nomes como Charles Mingus, John Coltrane, Miles Davis e Bill Evans também produziram jazz neste gênero.

Durante os anos ao lado de Miles Davis, Herbie foi apresentado ao piano elétrico Fender Rhodes. Sua relação com o novo instrumento rendeu novas inovações para a música e apontou a direção do que seria sua consolidação enquanto músico. O pianista adaptou um pedal wah-wah e uma câmara de ecos ao novo piano.

 

Desenhada por Victor Moscoso, a capa de Head Hunters é baseada na máscara africana "kple kple", da tribo Baoulé da Costa do Marfim. A imagem também se baseia em desmagnetizadores usados no equipamento de gravação de fita de áudio bobina-a-bobina da gravação.

 A nova estética foi capaz de convencer Harold Rhodes (pai do piano elétrico) a mudar a fabricação dos Fender Rhodes. Todos os modelos seguintes passaram a ser vendidos com a adaptação idealizada por Herbie Hancock.

Após sair do Segundo Grande Quinteto, Hancock iniciou suas experiências para além do jazz. Agora compondo um sexteto de músicos, ele inicia experimentações com estéticas eletrônicas, usando instrumentos como sintetizadores em sua obra. Essa fase ficou conhecida pelas inovações no estilo de jazz fusion. Os principais álbuns desse período são Fat Albert Rotunda (1969), Mwandishi (1971), e Crossings (1972).

Em 1973, o lançamento do álbum Head Hunters sinaliza uma mudança na direção de Herbie Hancock. Aliado às estéticas afroamericanas, como o funk/soul e o som de bandas como Sly and the Family Stone, Herbie explora um novo contexto musical, mais leve que os anteriores, mas não menos criativo.

Sempre através do jazz, Herbie Hancock foi capaz de viajar da música clássica até o funk, sendo hoje considerado um dos pianistas mais criativos do século XX. Aos 77 anos, sua obra ainda se mantém atual, principalmente na figura do álbum Head Hunters. O registro é considerado uma das melhores obras de jazz e funk já lançadas até hoje, sendo importante até mesmo na influência de gêneros subsequentes, como o hip-hop.

Apesar do início na música clássica como pianista, Herbie Hancock manteve as raízes negras em sua escalada musical. O artista foi crucial para novos caminhos dentro do jazz e do funk norte-americano, seus álbuns representem uma face importante da produção musical negra nos Estados Unidos e na música pop, como um exemplo que resistiu à ação tempo.

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