Milhares de pessoas exigem a saída do presidente da África do Sul, Jacob Zuma. O país passa por momentos de tensionamento político.

Texto: Solon Neto
Imagem: Associated Press / Houston Chronicle

Milhares de manifestantes foram às ruas nessa sexta-feira, (08/04), exigindo a saída do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, cujo governo é acusado de corrupção e má gestão. Ao lado desses protestos, também foram vistos manifestantes pró governo, inclusive antigos militantes anti-apartheid protegendo a sede do partido do governo, o African National Congress (ANC).

Essa semana o presidente demitiu 9 ministros em resposta à crise econômica. Dentre os ministros, pela quinta vez desde 2015, a pasta das Finanças foi mudada, e Pravain Gordhan deixou o cargo. Essa dança das cadeiras rebaixou a nota do país para investidores para o patamar de "lixo" em agências como a Standard & Poors, e piorou as relações do governo com a sociedade civil. O rebaixamento da S&P citou a queda do Ministro das Finanças e a população reagiu convocando novos protestos.

Agências de notícias internacionais relatam que os protestos de hoje foram realizados em diversas cidades do país, incluindo Pretoria, Joanesburgo e Durban. As maiores manifestações foram vistas em Joanesburgo, mas outras cidades também registraram protestos em menor escala. Em pelo menos duas cidades houve relatos de violência e confrontos com a polícia, com 5 pessoas feridas. O mandato de Zuma termina em 2019.

Problemas sérios

O ANC, partido do presidente, lidera a África do Sul desde o fim do regime do Apartheid, e há cerca de dois anos tem flutuado sobre crises políticas e acusações de corrupção que tem levado protestos às ruas do país com frequência. O ANC foi o principal agente na luta contra o Apartheid e tem uma relação importante com a estabilidade política do país.

banner textos assinaturasMovimentos de jovens e diversas organizações da sociedade civil tem se organizado pela queda do presidente. Recentemente, uniões de empresários e sindicatos, e mesmo ex-aliados, têm aderido ao movimento. A África do Sul passa por um período de crise econômica, o que aumenta a tensão entre governo e movimentos. O ANC, partido de Nelson Mandela, que já foi símbolo de unidade e justiça social, está sendo desmoralizado nesse sentido com os abalos sofridos por protestos e crises econômicas.

Semana intensa

Na última quarta-feira (05/04), membros do movimento Save SA (Salve a África do Sul), relataram ataques a uma ocupação realizada em Pretoria, na porta da administração do Tesouro Nacional. O grupo vem se movimentando para pedir a saída do atual presidente.

Na quinta feira (06/04), os empresários do BLSA, Bussiness Leadership South Africa, afirmaram às lideranças da Federação de Sindicatos, Fedusa (Trade Union Federation), que não iriam punir seus trabalhadores, caso decidissem participar das manifestações chamadas para esta sexta, e que irão continuar a apoiar os Anmovimentos até que Zuma seja deposto. Para eles, Jacob Zuma é o principal problema da Àfrica do Sul.

A Fedusa tomaria as ruas ao lado da recém criada Federação de Sindicatos Sul Africanos (South African Federation of Trade Unions), que também apoia a saída do presidente. Órgãos que representam até 700 mil trabalhadores do país pediram reuniões com o governo e representações de empresários, e ameaçam uma greve geral.

Já o órgão representativo mais importante das empresas sul africanas, a Business Unity South Africa, é mais moderado. O órgão que representa a maior parte das empresas do país, aconselhou seus membros a decidirem por conta própria se irão ou não liberar seus trabalhadores para os protestos, no entanto, segundo a liderança da organização, que liberem os trabalhadores desde que não seja em apoio ao Save SA, que pede a saída de Zuma. Para a organização de empresas, os protestos devem pedir um governo mais transparente e responsável, mas são contrários à tomada das rua pedindo a saída do presidente.

O Partido Comunista da Àfrica do Sul (SACP), aliados do ANC, afirmou que sairia às ruas por conta própria, e já disse antes ser favorável à queda de Zuma. Já outros aliados do partido afirmaram que não participariam dos protestos.

Durante a semana, hashtagas como “#ZumaMustFall” e “#SouthAfricaMustRise” foram utilizadas em redes sociais para insuflar os protestos realizados nesta sexta-feira. Rumores davam conta que uma greve geral poderia se desenrolar no mesmo dia, mas isso não foi confirmado.

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