Camarões, Tunísia, Quênia, Nigéria, Egito e África do Sul trazem histórias de desenvolvedores de games que buscam espaço na milionária indústria de games do continente

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/ Solon Neto
Imagens / Divulgação

Segundo agência de notícias Quartz, a indústria de games da África tem crescido bastante, e nesse processo, mantém-se com os olhos voltados para a cultura local. Países como Camarões, Tunísia, Quênia, Nigéria, Egito e Àfrica do Sul já contam com estúdios de desenvolvimento de games.

Um dos exemplos de maior sucesso é o primeiro estúdio de games de Camarões, o Kiro’o Games. Seu fundador, Madiba Guillaume Olivier, deixou o sonho de trabalhar fora do país e decidiu fincar raízes e crescer dentro do próprio país. Enquanto ainda estudava Ciências da Computação na Universidade de Yaoundé, na capital de Camarões, o jovem se uniu a um grupo de amigos e iniciou o projeto “Aurion: Legacy of the Kori-Odan”, seu primeiro game.

O jogo de fantasia tem protagonistas negros, e conta a história do príncipe Enzo ao lado da princesa Erine lutando para  retomar o poder do planeta Auriona, depois de uma traição famíliar. O jogo, um sucesso, foi lançado em 2016 na plataforma online Steam. O estúdio então contratou mais 18 profissionais, cresceu e ampliou os negócios para áreas como quadrinhos, desenhos-animados  e filmes.

Assim como eles, outros estúdios têm aproveitado a constatação do crescimento de games para smartphones e tablets, que ano passado ultrapassaram as vendas em consoles e computadores pessoais. A Associação Internacional de Desenvolvedores de Games já tem sete de seus centros de estudos de games na África.

Uma espécie de movimento cultural entre esses grupos parece tomar forma. Assim como os camaroneses da Kiro’o Games, a ChoUp studios, da Nigéria, apostou no uso de temáticas locais para seus games. Por exemplo, no game Okada Rider, o jogador é levado a uma simulação do disputado trânsito da megalópole Lagos. Já em Ebola Strike Force, pesquisadores e cientistas são controlados para salvar o mundo da doença, enquanto Sambisa Assault, leva o jogador a combater terroristas.

No Quênia, o estúdio Leti Arts resolveu apostar no folclore de Gana e produziu Ananse: The Origin. Já a Weza Interactive Entertainement investiu em Mzito, uma jornada para salvar o continente africano. Na África do Sul, jogos premiados saíram da Thoopid e da Celestial Games. Na Tunísia, a Digitalmania já lançou nada menos que 87 jogos para Facebook, Google Pay e Apple Store.

Problemas de infraestrutura têm sido empecilhos em alguns desses países, como o caso de Camarões, em que os donos da Kiro'o relataram diversos episódios de quedas de eletricidade. Da mesma forma, a Digitalmania tem dificuldades de crescer devido à falta de suporte para vendas nas plataformas em que distribuem seus games no país.

Game Mzito da Queniana Weza Interactive Entertainement

Nada disso, porém, tira a vontade dos estúdios de continuarem a crescer. As estimativas de crescimento de vendas dessas empresas é alta. Juntos, Egito, Nigéria, África do Sul, Argélia, Marrocos, Tunísia, Quênia e Sudão somam 744 milhões de dólares em expectativas de receitas na área de games para 2017.

Em vista desse prospecto positivo, a Kiro'o, de Camarões, lançou recentemente um programa de mentoria para ajudar grupos parecidos a aperfeiçoarem seus negócios. A indústria de games no mundo continua crescendo, e os jovens africanos mostram que a esperança que o continente deposita em sua juventude otimista tem valido a pena.

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