Texto: Divulgação / Edição de Imagem: Solon Neto

Campanha destaca a imagem da favela para “muito além do que se vê”

Já pesquisou a palavra “favela” no banco de imagens do Google? Logo na primeira página do site de busca, a tela do computador é ocupada por fotos e cenas de violência, pobreza, tráfico de drogas entre outras. A favela é apresentada majoritariamente, para moradores ou não, como um lugar de carência, um território essencialmente violento e perigoso. Para muitos, o Google sabe e mostra tudo. Será?

convitefavelaIdealizada pelos jovens da Escola Popular de Comunicação Crítica, projeto do Observatório de Favelas, a campanha Favela 3D pretende disputar o imaginário popular mostrando a favela como local de potência e favelados e faveladas como protagonistas da cidade, ampliando a perspectiva da favela, revelando a realidade para “muito além do que se vê”.

A partir dos três D’s (Disposição, Diversidade e Direitos), a campanha começa com uma ação de disposição, realizando intervenções artísticas com stencil – técnica ligada ao grafiti para aplicações rápidas de imagem –  nos muros da cidade. Destacando a diversidade, no dia 19, em plena Maré, acontece um Flash Mob misturando dançarinos de passinho e instrumentistas da Orquestra Maré do Amanhã (o vídeo ao vivo no facebook já está com mais de 25 mil visualizações) . Fechando as ações, serão instaladas faixas nas passarelas da Avenida Brasil com frases retiradas da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Na sexta (20), começa a segunda etapa da campanha: a Conferência 3D. Nos dias 20,21 e 22 acontece a Ocupação 10 anos da Cia Marginal com exibição de peças teatrais da Cia seguida de bate-papo com os atores. Na quarta-feira (25), o Papo 3D levará ao público experiências positivas de pessoas que atuam dentro das favelas do Rio, além da exibição do documentário “Quem são os markers da favela?”. A festa de encerramento das ações e formatura dos alunos será no dia 28 de maio.

 

Todas as atividades são abertas e gratuitas.

Serviço:

Conferência 3D

20/05,21/05 e 22/05 (sexta, sábado e domingo) – Ocupação 10 anos da Cia Marginal
20/05 – 19h – Vai

20h – Qual é a nossa cara

21/05 – 19h – Ô Lili

22/05 – 19h – Eles não usam tênis Naique + bate-papo com os atores
Local: Centro de Artes da Maré – Rua Bitencourt Sampaio, 181, Maré

25/05 (quarta-feira) – Papo 3D +  exibição dos filmes “Quem são os makers da favela?” + as exposições fotográficas Corprojeção, Amarévê

Horário: 18h

Local: Galpão Bela Maré – Rua Bitencourt Sampaio, 169, Maré

28/05 (sábado) – Festa de encerramento

Horário: 19h

Local: Galpão Bela Maré – Rua Bitencourt Sampaio, 169, Maré.

Texto: Thamyra de Araújo / Edição de Imagem: Pedro Borges

O espaço cultural no Humaitá receberá também oficina, debates, intercâmbio, show, sarau e exposição realizados pelo Coletivo Bonobando; atividades acontecem no Espaço Sérgio Porto

Após circular por todas as Arenas Cariocas no ano passado, o espetáculo Cidade Correria, iniciou sua primeira temporada na zona sul do Rio de Janeiro no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá. A temporada é patrocinada pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro através do Edital Fomento Olímpico e segue até o dia 30 de maio, com apresentações aos sábados e segundas às 21h e domingos às 20h.

Cidade Correria não é uma história, é uma invasão, um transbordamento das urgências cotidianas, contradições, alegrias, delírios, feridas e potências. Uma cidade inventada, em deriva, que poderia ser a nossa cidade, ou qualquer cidade. O público é levado a conhecer a cidade caos, cidade contradição, cidade maravilhosa, cidade impedida, cidade carnaval, cidade invenção, cidade revolução.

A dramaturgia é fruto de trabalho coletivo, inspirada em imagens, filmes, situações cotidianas, histórias de vida e contos literários de Mia Couto, João do Rio, entre outros. O processo envolveu treinamento diário com máscaras balinesas, ministrado por Lucas Oradovschi, que recebeu visitas de Ana Achcar, Fabianna de Mello e Sousa e Luiz André Alvim.

A direção artística e preparação do elenco, formado por jovens de territórios populares do Rio, foi realizada por Adriana Schneider, Lucas Oradovschi, Ricardo Cotrim, Mariana Mordente e Cátia Costa. Parte do processo envolveu o artista Thiago Florencio que conduziu uma experiência a partir de seu trabalho sobre objetos em deriva etnográfica e suas relações com espaços marcados por feridas coloniais. Este trabalho resultou em performances e instalações realizadas na favela da Vila Cruzeiro.

Junto às apresentações do espetáculo, o Coletivo Bonobando promove a exposição “Na Correria”, a grafitagem do muro do Espaço Cultural Municipal Sergio Porto realizada pelo CRUA – Coletivo Criativo de Rua , o intercâmbio “Trocas Coletivas” entre grupos culturais formados por jovens do Rio de Janeiro contando com a participação de João Carlos Artigos, ator e fundador do Teatro de Anônimo, a roda de conversa “Comicidade na Cidade” que receberá Leonardo Lanna (Sensacionalista) e Georgiana Góes (atriz do programa Tá no Ar), o show “Para voz” do artista pernambucano Vertin e o sarau “Palco de Gala” com participação do Coletivo Vidiga Improvisa, entre outros convidados.

Serviço –  Ocupação Cidade Correria

Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto

Apresentações Cidade Correria: Sábados e Segundas de maio (às 21h) e Domingos às 20h. De 07 a 30 de Maio.

Exposição “Na Correria” e inauguração da grafitagem: abertura 7 de maio às 19h. Visitação de Quarta a Segunda, das 14h às 22h.

Música “Vertin no show Para voz”: 12 de maio às 20h30

Sarau “Palco de Gala”: 13 de maio às 20h

Intercâmbio “Trocas Coletivas”: 18,19 e 20 de maio (qua e qui de 15h às 19h e sex de 15h às 22h).

Mesa “Comicidade na Cidade”: 27 de maio às 20h.

Ingressos:

Espetáculo e Música (show) R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

Exposição, Sarau, Intercâmbio e Mesa entrada gratuita

Classificação: 12 anos / Exposição e show de música: livre

Endereço: Rua Humaitá, 163 – Humaitá, Rio de Janeiro

Telefone: (21) 2535-3846

Texto: Dennis de Oliveira / Foto: Télia Lopes / Edição de Imagem: Pedro Borges

A Rede Antirracista Quilombação e o Coletivo São Mateus em Movimento realizaram uma roda de conversa no dia 14 de maio, no bairro de São Mateus, zona leste da cidade de São Paulo. Participaram mais de 50 pessoas para discutir o tema: “A democracia não chegou na periferia”.

Em determinado momento, a roda recebeu a visita do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Ele estava acompanhado de Cláudio Aparecido da Silva, coordenador de políticas da juventude do município de São Paulo. O prefeito e o coordenador ficaram quase até o final das discussões. 

Aluizio Marino, do São Mateus em Movimento, fez a mediação visual da roda, colocando na lousa branca as principais idéias que eram expressas pelos presentes. Télia Lopes, da Quilombação, fez a mediação da conversa.

Primeiramente, foi lido o manifesto da Rede Quilombação contra o golpe (LINKAR AQUI). Todos os presentes consideram que o momento atual do Brasil é muito complicado com reversões de direitos conquistados e a perspectiva de um recrudescimento da violência na periferia e contra os movimentos sociais, principalmente com a ida do ex-secretário da segurança de São Paulo, Alexandre Moraes, para o ministério da Justiça.

Aluízio Marino, do São Mateus em Movimento, fez a mediação “visual” da roda. (Foto: Télia Lopes)

O governo de Temer, fruto de uma articulação golpista midiático-parlamentar-jurídica, tem um nítido programa ultraliberal, priorizando o atendimento das demandas do grande capital transnacional, em especial o rentista e para isto, irá constituir um arranjo institucional que impeça a pressão dos movimentos sociais. Para tanto, extinguiu as pastas mais sensíveis às demandas sociais (Direitos Humanos, Igualdade Racial, Mulheres, entre outras). Ao mesmo tempo, a nomeação de Moraes para o Ministério da Justiça sinaliza que a política para os movimentos sociais será a da repressão.

Os participantes da roda apontam que é necessário que a esquerda se reinvente. As experiências dos coletivos de periferia que articulam ações culturais, políticas e se organizam de forma horizontal, construindo novos protagonismos políticos, culturais e midiáticos necessitam ser valorizadas e mais ouvidas pelas organizações tradicionais do campo progressista.

Participantes da roda afirmam que a esquerda precisa se reinventar para enfrentar o conservadorismo que ganha força. (Foto: Télia Lopes)

Por que isto é importante?

Este novo cenário é produto de alterações profundas na conjuntura social. A primeira delas é o maior acesso a informação e formação.

O acesso maior à informação é uma característica do mundo contemporâneo devido às tecnologias da informação e comunicação desenvolvidas nos últimos tempos. A apropriação destas tecnologias criou a possibilidade de mais pessoas poderem expressar publicamente suas idéias.

Por isto, uma característica fundamental destas novas organizações é que elas se baseiam no compartilhamento de informações. A organização mais horizontalizada não é mero capricho e sim conseqüência deste fluxo de informações que se horizontaliza.

Quanto à formação, é inegável que as políticas públicas mais recentes de expansão da educação superior possibilitaram que mais jovens da periferia ingressassem na universidade. Com isto, a periferia hoje conta com muitos jovens com formação avançada e vários deles ocupando postos importantes nos equipamentos sociais de periferia, como postos de saúde, casas de cultura, escolas, entre outros.

Prefeito de São Paulo Fernando Haddad e coordenador de juventude, Claudio Aparecido, participam da roda de conversa. (Foto: Télia Lopes)

O engajamento na luta pela qualidade das políticas públicas ganha corpo com estes novos atores.

Na roda de conversa do dia 14, vários participantes fizeram análises sofisticadas sobre o cenário da periferia e o funcionamento dos equipamentos sociais. Mais: constataram que é necessário aprofundar a formação política na “quebrada” – lembrando que a politização na periferia é feita no cotidiano, na esquina, nas rodas de conversa entre amigos. E que ainda o poder dos grandes meios de comunicação, em especial a Globo, é imenso e desproporcional ante as várias iniciativas de mídia alternativa que são produzidas pelos coletivos.

Por fim, os participantes também concordaram que é necessário ampliar eventos como este e, para isto, prevê-se a realização de uma “roda de conversa na rua” combinando narrativas políticas e artístico-culturais.

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