Texto: Divulgação / Edição de Imagem: Pedro Borges

Entre os dias 28/02 e 03/04 acontece na Região Central da cidade de São Paulo o Mês da Cultura Hip Hop 2016. Neste ano, o tema é a "Diáspora Africana" a partir da história dos povos negros saídos da África no colonialismo europeu para outros países, sobretudo, no Brasil. O evento contará com debates sobre geração de renda, poesia, protagonismo feminino e negro no movimento hip hop e diversidade.

Na programação é possível encontrar diversas oficinas com os elementos do hip hop (DJ, MC, Graffite, Breaking) em escolas, organizações da sociedade civil e espaços públicos. Além das atividades de Hip Hop, a região Central receberá oficinas de streaming, moda Afro, rodie e montagem de som e muito mais.

Outras novidade na edição deste ano são a Mostra de Cinema e Vídeo, a Mostra Competitiva On-Line de Videoclipes e a realização da Feira de Economia e Empreendimentos Solidários na região central de São Paulo com a participação de mais de 60 empreendimentos pautados pelo comércio justo, solidário, horizontal e democrático.

O Mês de Cultura Hip Hop de São Paulo conta com o apoio de organizações civis e da Prefeitura Municipal, além das Secretarias de Igualdade Racial, Cultura e Educação. O evento também visa promover a intersecção de diálogos atuais e fundamentais sobre os rumos da capital paulista por meio da ocupação dos espaços públicos do centro histórico da cidade para integrar crianças, jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social na participação de atividades culturais e esportivas.

Serviço
Data: 28/02 a 14/04
Programação (locais e horários): https://www.facebook.com/meshiphopsp
Entrada gratuita

Texto: DJ Neew Dê Loná para o Bocada Forte / Foto: Adegadoaguinho / Edição de imagem: Pedro Borges

Com conceitos e levadas africanas em suas músicas, Omnira trabalha para evidenciar sua luta por liberdade para todos, discursando contra o racismo, a favor do empoderamento de minorias, sobre a fé nos orixás e a liberdade de ser e agir

Na companhia de diversas influências, principalmente na parte do reggae, gangsta rap, samba e demais vertentes, o grupo levou sua vibe positiva em todos os eventos que participou no decorrer do último ano e em 2016 trabalha seu álbum “Grito de Liberdade”, homônimo do single lançado em setembro de 2015. Nas palavras do grupo: ”O intuito desse disco é que os ouvintes fiquem à vontade e viagem com as músicas, mas claro trazendo a responsabilidade abordando temas que os façam refletir.’’

Bocada Forte: Falem da formação do grupo, como ele surgiu e quem são integrantes?
Omnira: Surgimos a partir de uma conversa. Nós queríamos voltar pra cena, a Paty colou com uma letra muito louca e a gente desenvolveu essa música e criamos o grupo. Os integrantes são Paty Treze, Janaína D’Notria, Juliana Sete e DJ Neew. Temos entre 25 e 30 anos. A Janaína D’Notria e a Juliana Sete moram no Jaraguá, zona oeste de São Paulo. A Paty mora no bairro Pedreira, zona sul e DJ Neew no Embu, município bem próximo a zona sul.

Bocada Forte1Bocada Forte: Significado de Omnira e porque a escolha do nome com influência africana?
Omnira: Queríamos um nome africano, que expressasse o que queríamos dizer e como queríamos atuar. Aí ficou Omnira, que quer dizer Liberdade em yorubá. Somos descendentes de negros africanos, nada mais justo do que honrar nossa ancestralidade, como dar nome e voz ao nosso grupo.


Bocada Forte: Como funciona o processo de criação das músicas?
Omnira: Gostamos de escrever juntas. Processo de criação coletivo. Algumas ideias batem, outras nem tanto e outras em nada, mas acontece, quando nos falta tempo de nos reunir para criar, fazemos partes individuais e mandamos umas para outras: letras e áudios gravados. Nosso processo de criação é muito pessoal. Quando a gente se junta, a gente já tem uma pré do que vai desenvolver coletivamente. O bom é que mesmo cada uma com sua identidade musical , nossas ideias casam bem no produto final.


Bocada Forte: Qual a principal objetivo do grupo?

Omnira: Nosso principal objetivo é levar informação, empoderamento, poesia, entretenimento dentro de um conjunto, com tudo isso em proporções iguais. Nosso canto é um grito. Uma boca no trombone. A mulher ainda encontra muitas dificuldades dentro de qualquer setor da nossa sociedade. O hip hop não é diferente. A maioria esmagadora da cena é de homens. Mas as mulheres do hip hop são muito ativas. Tem mulher chegando de todo lado e isso só tende a aumentar a demanda de produto de mina na rua. O machismo existe, mas as mulheres resistem.

Bocada Forte: Qual a opinião do grupo com relação ao cenário atual da mulher no hip hop brasileiro?
Omnira: As mulheres estão a cada dia conquistando mais protagonismo e voz no rap. Sabemos que é um cenário machista, mas estamos condicionadas a lutar pelo nosso espaço, por direito e honra.

Bocada Forte: O movimento feminista no Brasil vem se organizando em diversas frentes para combater o machismo e violência contra a mulher. O Omnira se considera um grupo feminista?
Omnira: Sim! Com exclamação. Somos feministas, lutamos pelo direito das mulheres de serem livres de opressões (físicas, espirituais, materiais, seja o que for contra ser livre).

Evento do dia das crianças no Grajaú-SP (Out/2015) Evento do dia das crianças no Grajaú-SP (Out/2015)

Bocada Forte: Muitos MCs dentro da música rap reproduzem machismo inclusive em videoclipes e declarações em shows e redes sociais. Como vocês lidam com essa situação, principalmente cantando muitas vezes em eventos onde a maioria dos grupos são formados por homens?
Omnira: Nosso discurso e postura permanecem os mesmos. Nos eventos não escondemos nossa militância. Alguns homens reagem mal e nos tratam como hora de entretenimento “Agora as minas vão cantar, vamos pro recreio.” Sai pra fumar, comer, saudar os manos, ir no banheiro… Não nos abalamos. Pisamos firme e fortes e continuamos nosso caminho. Nossa luta vem de anos, então sabemos lutar.

Nossa resposta vem nas nossas ações. Quando a gente sai de casa e a Juh deixa 4 filhos, a Jana que também tem uma filha, a Paty e o DJ Neew (que é um homem que apoia muito nosso crescimento), que trampam e moram longe do nosso núcleo de maior atuação… Nosso amor e compromisso com o que fazemos. Nossas mensagens. Tudo isso responde pro machista que estamos vivas e dispostas a ocupar o espaço que também é nosso. Respostas vem com atos.

Bocada Forte: Quais grupos da cena atual do rap vocês indicam para ouvir?
Omnira: Gostamos de tudo. Escutamos muita coisa independente: Fora de Freqüência, Otah ideia, Preta Rara, Luana Hansen, Bia Doxum, Dory de Oliveira. É uma galera da cena independente, que o grande público as vezes nem busca acessar e são fodas com discurso.

Bocada Forte: Qual a principal meta do grupo e quais trabalhos estão por vir?
Omnira: Nossa meta é ser voz. Queremos falar das mazelas, das alegrias, das crenças, das diversas pautas da periferia, da nossa ancestralidade. Nosso nome não é liberdade em vão. Queremos ser, falar levar e agir conforme isso. Nosso trabalho não para. E estamos na articulação de um videoclipe, do nosso disco e buscando sempre sinceridade do nosso trabalho com nosso público.

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Texto: Noise D publicado no Bocada Forte / Edição de Imagem: Pedro Borges

No dia 24 de janeiro de 2003, morria Sabotage, um dos maiores MCs da história do rap brasileiro

“‘Sabotage Nós‘ é um documentário que retrata a caminhada do ‘Maestro do Canão’ em direção ao seu disco de estreia, ‘Rap É Compromisso’, apresentando a perspectiva dos produtores, amigos e colaboradores que participaram ativamente do trabalho. Em paralelo, é contada a história da Família RZO e do momento áureo do rap ao final dos anos 90.

O documentário é intercalado por cenas dos filhos de Mauro Mateus dos Santos, Wanderson Sabotinha e Tamires, mostrando o cotidiano da Favela do Boqueirão, onde moram e onde viveu Sabotage após a saída do Canão.

Os herdeiros do rapper ainda levam a reportagem para uma visita ao que restou da Favela do Canão, à beira da Avenida Prof. Roberto Marinho, antiga Av. Espraiada.

A direção é assinada por Guilherme Xavier Ribeiro, em uma coprodução da GuardaChuva com a MTV Brasil, que exibiu um trecho do material durante o ‘Último Yo! MTV Raps’, em setembro de 2003.”

Dê o play!

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