Promovido pela Rede Jornalistas das Periferias, evento acontece dia 16 de setembro e debate jornalismo a partir das do ponto de vista das periferias; inscrições gratuitas podem ser feitas pela internet e vão até o fim de agosto.

Texto e Imagem / Divulgação

Os brasileiros que têm mais acesso à televisão (97,2%) que a abastecimento de água (85,4%) e à rede coletora de esgoto (65,3%). Isso é o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 2015 e que deu conta de pesquisar apenas as áreas urbanas do país.

Um pouco antes, em 2013, a Fundação Perseu Abramo realizou estudo específico, batizado Pesquisa de Opinião Pública Democratização da Mídia, que apontou que o brasileiro se informa prioritariamente pela televisão (94%), sendo que 4 a cada 5 pessoas entrevistadas dizem assistir televisão diariamente.

Estes e outros inúmeros estudos mostram como os meios de comunicação, em especial a TV e a internet, 82% dos acessos são de pessoas entre 15 e 19 anos, tem papel fundamental na construção do imaginário e influenciam o processo educativo de crianças, jovens e adolescentes, especialmente.

Thais Siqueira, uma das responsáveis pelo projeto Você Repórter da Periferia, diz que mais que apreender o jornalismo na prática, quem tem contato com educomunicação tem uma importante formação política, de visão de mundo. “Estimular o contato ou a descoberta com a comunicação preenche uma lacuna na formação política do jovem periférico, porque ele passa a se auto reconhecer como cidadão e protagonista da sua história”, explica a jovem, que integra o Coletivo Desenrola e Não Enrola, localizado no Jardim ngela, zona sul.

Durante a Virada Comunicação 2017, a Rede Jornalistas das Periferias traz o assunto para o centro da roda com a mesa Educomunicação e Direito à Comunicação - Como pautamos / pautamos certo? O que precisamos pautar? Mediada por Karol Coelho, da Agência Mural, partir das 16h você acompanha Ronaldo Mattos (Desenrolar e não me Enrola), Aline Rodrigues (Periferia em Movimento) e Ana Claudia Mielke (Intervozes) conversando sobre isso.

Uma experiência prática de construção da cidadania comunicativa

Desde 2014, o Você Repórter já formou mais de 140 pessoas com idades entre 16 e 42 anos de, a partir de oficinas de jornalismo escrito, técnicas de entrevista, conteúdo mobile entre outras linguagens. Para Thais, “o jovem passa a entender o processo de produção e construção do que é notícia para grande mídia e a partir deste momento ele percebe o quanto é importante construir e produzir uma contranarrativa para combater falsas informações, notícias enviesadas e, principalmente, o processo de desinformação”, aponta a jornalista.

Apesar de ter se tornado uma política pública na cidade de São Paulo (LEI 13.941/2014), e em seguida ganhar o Brasil graças ao MEC que expandiu programa formando mais de 2500 professores nos anos de 2004 e 2005, a educom ainda tem mais vitalidade dentro das organizações de educação não formal, como são chamadas as ongs e coletivos. Os cursos superiores de comunicação, ambiente perfeito para impulsionar uma geração de comunicadoras e comunicadores comprometidos em mais que produzir e distribuir conteúdo, ainda estão longe de conseguir dar conta dessa demanda. Para Thais, as experimentações feitas pelos coletivos, especialmente nas periferias, é quem tem dado o tom crítico que todo curso de comunicação deveria dar aos seus alunos e alunas.

“E esse cenário só poderia mudar se existissem políticas públicas e organizações da sociedade civil que endossassem o trabalho que vem sendo produzido pelos coletivos de comunicação orientando um estudante a pensar sua profissão com responsabilidade social e não com um olhar baseado apenas no crescimento profissional e atuação em grandes empresas. Afinal de contas”, aponta ela, “essa realidade é coisa do passado, mas muitas faculdades ainda vendem isso aos estudantes e a mudança tem que começar por aí, tirando do meio acadêmico essa ilusão”, finaliza.

Sobre a Rede de Jornalistas das Periferias

Formada por comunicadoras, comunicadores e coletivos que atuam a partir das bordas da Grande São Paulo, a Rede Jornalistas das Periferias tem como objetivo promover e disseminar a informação produzida pelas e para as quebradas. Enquanto movimento, acredita na potência e importância de que essas vozes sejam protagonistas também no conteúdo jornalístico sobre essas regiões da cidade, constituídas historicamente em condições sociais de desigualdade de raça, classe e gênero que se reproduzem, inclusive, no ambiente profissional da comunicação.

Sobre a Virada Comunicação 2017

A Virada Comunicação é realizada com apoio das instituições Ford Foundation, Fundação Tide Setúbal e Instituto Alana, e idealizada e organizada por 13 coletivos integrantes da Rede: Alma Preta, Capão News, Casa no Meio do Mundo, Desenrola E Não Me Enrola, DiCampana Foto Coletivo, DoLadoDeCá, Historiorama: Conteúdo & Experiência, Imargem, Mural - Agência de Jornalismo das Periferias, Nós, Mulheres da Periferia, Periferia em Movimento, Periferia Invisível e TV Grajaú.

Serviço
Virada Comunicação
Quando? Sábado, 16 de setembro de 2017, das 09h às 22h
Onde? No Centro Cultural do Grajaú - Rua Professor Oscar Barreto Filho, 252 - Grajaú - Extremo Sul de São Paulo
Para quem? Estudantes, pesquisadores e profissionais da comunicação; ativistas e movimentos sociais; moradoras e moradores das periferias de São Paulo
Como participar? Limite de 500 vagas com critérios de participação. Inscrições gratuitas no link https://goo.gl/forms/AhpICkv87vb8h0Qf2
Evento no Facebook: goo.gl/vo7vht

Sobre o Alma Preta

O Alma Preta é uma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil. Em nosso conteúdo você encontra reportagens, coberturas, colunas, análises, produções audiovisuais, ilustrações e divulgação de eventos da comunidade afro-brasileira. Nosso objetivo é construir um novo formato de gestão de processos, pessoas e recursos através do jornalismo qualificado e independente.

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